Arquivo / O Estado
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Os ratos roem canos de chumbo,
fios de cobre, plástico e concreto.

A Coordenadoria de Controle de Zoonose de Curitiba estima que há em torno de 50 mil ratos na capital e Região Metropolitana, ou seja, equivalente a 3% da população da cidade. Por outro lado, profissionais afirmam ser muito mais, podendo chegar a 16 roedores por habitante. A questão não é tanto o número de ratos que hoje vive na Grande Curitiba, mas sim o que isso significa em termos de prejuízo e doenças.

?Tem demais e está complicando a vida. Os danos são de grande monta. Um pequeno camundongo pode provocar até o bloqueio de cargas navais gigantescas. Porém, o sistema de desratização está praticamente desativado?, afirma o professor de Zoologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Estefano Jablonski.

Além de serem capazes de impedir o transporte de 400 mil toneladas de soja, como aconteceu em 2004 no Porto de Paranaguá, os ratos roem canos de chumbo, fios de cobre, plástico, concreto e até ossos. ?Pessoas que não têm higiene suficiente e vivem em promiscuidade com o lixo podem, ao dormir, ter as extremidades roídas?, afirma o professor.

De acordo com Jablonski, os surtos ocorrem sem datas específicas, mas depende da disponibilidade dos alimentos. As principais vilãs da capital e Região Metropolitana são as conhecidas ratazanas, que vivem nas galerias. ?O problema em Curitiba é a falta de vigilância permanente e um programa de desratização completo, com equipes capacitadas e campanhas educativas sobre o perigo que advém do rato?, explica.

Doenças

Além da leptospirose, esses roedores trazem muitas outras doenças: peste bubônica, tifo, raiva, ceriominingite linfocitária; solmonelose, dermatites, ?além de todas as viroses que ainda não têm cura ou medicamento específico?, completa Estefano.

?O bicho é tão problemático que você não tem como controlar. Quando tem superpopulação, eles se dispersam. Não adianta só eu ou você combater os ratos. Todos devem fazê-lo. Para não depender de um sistema de desratização dos órgãos público, o que cada pessoa deve fazer é manter sua propriedade vigiada e conservar as áreas livres de entulhos e nunca deixar ração canina à disposição?, afirma Jablonski.

Ainda de acordo com as pesquisas realizadas pelo professor da PUCPR, no Paraná, até 1979, foram registradas 60 espécies de ratos e, até 1983, outras 40. A ratazana (Rattus rattus) procria até seis vezes ao ano e tem, cada vez, seis ou sete filhotes. Um casal de ratos, portanto, em um ano, pode produzir até 1,5 mil filhotes. Por isso, a superpopulação de ratos deve ser algo preocupante.

Vigilância Sanitária

Segundo o coordenador de Zoonose e Vetores da Secretaria de Saúde de Curitiba, Eric Koblitz, o trabalho de desratização é diário e de acordo com dados epidemiológicos. ?A gente trabalha em conjunto com ongs e universidades, mas em outras questões. Na questão ratos esse contato é pouco?, afirma.

No primeiro semestre deste ano, foram registrados em Curitiba 75 ocorrências de leptospirose, com 12 óbitos. Em Fazenda Rio Grande, foram 12 casos, com dois óbitos. Em Colombo, foram 21 casos, sem óbito. E em Campo Largo, 18 casos, também sem óbito registrado.