A revelação de que o fundador do Taleban, Mullah Mohammad Omar, está morto há dois anos frustrou um nascente processo de paz costurado pelo Paquistão e que buscava encerrar a insurgência do grupo no Afeganistão. Islamabad aumentou crescentemente sua influência nos últimos meses para pressionar líderes do Taleban a irem à mesa de negociações, depois de anos de apoio tácito à luta do movimento islâmico contra o governo de Cabul e seus apoiadores norte-americanos.

No início de julho, o Paquistão sediou uma reunião de alto nível entre oficiais afegãos e representantes do Taleban. Negociadores haviam chegado a Islamabad em 29 de julho em preparação para uma segunda rodada de conversas antes que a notícia da morte de Mullah Omar forçasse um adiamento.

Novos líderes do Taleban escolhidos semana passada em um encontro na cidade paquistanesa de Quetta são vistos como próximos de Islamabad em comparação com outros no movimento. Apesar disso, a escolha deles encontrou oposição na cúpula do grupo e aumentou as divisões internas sobre as participações nas negociações de paz.

Atos de violência ocorreram nesse final de semana no Afeganistão, incluindo uma série de três bombardeios num único dia em Cabul. A onda de ataques deixou 77 pessoas mortas. Foi a primeira sequência de ataques na capital desde o início das divergências na liderança do Taleban. O ataque mais recente atingiu a província de Kunduz, ao norte do país, na noite de sábado. Explosão causada por um homem-bomba matou 25 pessoas e tinha como alvo membros de uma milícia contrária ao Taleban.

Em um aparente esforço para parecer forte e unir o movimento, o novo chefe do Taleban, Mullah Akhtar Mansour, que já vinha comandando o grupo efetivamente desde 2010 e era visto como um apoiador das conversas de paz, enviou uma mensagem no dia 1º de agosto convocando “jihad até que se estabeleça um Estado islâmico”.

O Paquistão tem forçado um reinício rápido das conversas, disseram membros do Taleban, autoridades paquistanesas e diplomatas estrangeiros. Apesar disso, uma pessoa próxima de Mullah Mansour disse que pode levar meses para que a nova liderança reprima dissidentes, prove sua dureza em batalha e construa apoio para participação em conversas. Fonte: Dow Jones Newswires.