Roma: um gigante museu a céu aberto.

Roma comemorou dia 21 seu 2.757.o aniversário com o tradicional desfile de tochas no Capitólio e numerosos eventos culturais e artísticos. Trata-se de uma data mergulhada na mitologia, pois rememora a lenda dos irmãos Rômulo e Remo e o mais famoso caso de fratricídio depois de Caim e Abel, com o assassinato de Remo pelo próprio irmão.

O historiador Tito Lívio dá duas versões para a tragédia que precedeu a fundação de Roma: numa, a morte de Remo ocorreu devido a uma discussão com Rômulo sobre qual deles havia visto mais pássaros de bom agouro (que indicaria o agrado dos deuses), resolvida na ponta da adaga.

Na segunda, mais popular, Rômulo teria assassinado o irmão quando ele, de brincadeira, saltou sobre o sulco que o primeiro havia traçado, para marcar o perímetro da futura cidade.

Outro grande historiador da Roma Antiga, Terêncio Varrão, estabeleceu a data exata da fundação no 11.o dia anterior às calendas de maio, ou seja, 21 de abril, de 753 a.C. Na verdade, a data escolhida coincide com a antiga festa agrícola de Palilia, em homenagem à deusa dos pastores, Pales.

Mas a tradição começa a coincidir com a história verdadeira, já que em recentes escavações arqueológicas feitas no monte Palatino (uma das sete colinas de Roma) foram achados vestígios de um sulco e, sob a mais antiga muralha da cidade, uma fossa com três ânforas e dois fragmentos de fivelas de bronze que datam do século VIII a.C., que poderiam ter sido enterradas durante os ritos de fundação da cidade.

Segundo o mais “moderno” dos historiadores romanos, Plutarco, Rômulo teria escavado uma fossa onde enterrou objetos e mantimentos indispensáveis à vida humana. Depois traçou com um arado um “sulco primitivo”, um perímetro quadrado em torno do centro simbólico da cidade e que deveria ser uma espécie de defesa do “útero materno” de onde nasceria Roma.

Foi justamente a provocação de Remo ao saltar sobre o sulco que motivou a ira de Rômulo, já pouco disposto a compartilhar o domínio de Roma com o irmão, levando ao fratricídio no monte Palatino.