Nicolas Sarkozy completou ontem dois anos como presidente eleito da França vivendo um paradoxo: ao mesmo tempo em que amarga a impopularidade, lidera as pesquisas para a próxima eleição, em 2012. A aparente contradição resume bem a relação de amor e ódio que une o “hiperpresidente” de direita e os “sarkofóbicos”, seus compatriotas insatisfeitos.

Em 6 de maio de 2007, Sarkozy manteve no poder a União por um Movimento Popular (UMP), maior partido de direita do país, ao obter 53% dos votos válidos, superando Ségolène Royal, candidata do Partido Socialista (PS). Desde então, um novo estilo tomou o Palácio do Eliseu. Em lugar da aparência de estadista – e muitas vezes figurativa – que os presidentes franceses até Jacques Chirac se esforçavam para demonstrar, Sarkozy, de 54 anos, “dessacralizou” a função.

Deixou o ar aristocrático de lado, substituindo-o por frases como “Cai fora, idiota!”, agora associadas à presidência. Além disso, enfraqueceu o primeiro-ministro, François Fillon, arregaçando as mangas e assumindo todos os riscos. O resultado de sua hiperatividade é a saturação. Segundo pesquisa do instituto TNS Sofres, só 28% dos franceses aprovam os dois primeiros anos de seu governo. Outros 63% consideram o balanço negativo.

Quando o assunto é sucessão, os número são favoráveis ao “hiperpresidente”. Uma sondagem do instituto Ifop indica que Sarkozy teria 28% dos votos em 2012 – 3% a menos do que no primeiro turno em 2007 -, superando seus adversários por oito pontos. Outro dado favorável é que, na mesma época de seus mandatos, François Mitterrand e Chirac apresentavam índices de aprovação de cerca de 25%.