Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Yuri e Vicenza: exemplos de disciplina.

Não são somente os países participantes, pesquisadores, multinacionais e o governo brasileiro que estão atentos durante os eventos de meio ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU), em Curitiba. Dois cães – o labrador Yuri e a pastor alemão Vicenza – estão de prontidão para cuidar da segurança dos participantes. Segundo o responsável pelo treinamento dos animais, cabo Jaime Domingos, da Polícia Militar, além deles serem os únicos, dos 34 cães da tropa, aptos a farejarem explosivos, são também os únicos de todo o Paraná.

"Os cães, assim como nós, vão estar de prontidão para atuar em qualquer situação. Vamos trabalhar muito, temos que dar segurança aos participantes. É muita responsabilidade, pois o explosivo, ao contrário dos demais objetos de treinamento do faro, causam danos e mortes. O papel deles, agora, é dar apoio ao grupo antibomba em determinadas missões nas áreas de risco. Eles farão varreduras nos locais do evento e nos locais pelos quais os participantes podem passar, como aeroporto, shoppings, hotéis", explica Domingos.

Especialmente no evento da ONU, Vicenza, que tem apenas alguns meses de idade, vai atuar somente se necessário, pois a cadela ainda está em treinamento. No entanto, quem vai ter um trabalho efetivo é o mais velho, o labrador Yuri, de seis anos e meio, que esteve em outras ações e está para se aposentar na função. "Pretendo aposentar Yuri, ainda no ano que vem, para substituí-lo por Vicenza. Ela já está em treinamento, em fase bastante avançada, mas não pretendo usá-la agora", afirma o cabo.

O treinamento, para que tanto Yuri quanto Vicenza possam desempenhar a difícil tarefa, começa cedo. "A gente começa a fazer a socialização dos cães já com sete semanas e, para começar um serviço especial para faro, até com seis ou sete meses", conta Domingos. Ele ainda explica que os cães conseguem chegar aonde os homens não conseguem, podendo fazer uma varredura mais segura.

Para essa atuação na reunião dos 132 países, em Curitiba, o treinamento ficou mais intenso para Yuri nos últimos três meses. "Foi um treinamento mais puxado. Yuri vem treinando desde janeiro com ênfase nos locais do evento, para estar mais sociabilizado com essa atuação", explica o treinador. Ele comenta que o treinamento é diário – variando os períodos e trabalhando em horários diferenciados.

Além de serviços de faro, tem também muita brincadeira para que o cão não fique estressado. "O cão da polícia deve trabalhar tranqüilo, pois o serviço dele é bastante puxado e a rotina, bastante diferente da rotina de um cão normal", justifica Domingos.

Treinando o tempo necessário e estando pronto a atuar, Domingos conta que, durante o evento, enquanto não houver necessidade de atuação, Yuri vai ser poupado para estar com todas as baterias carregadas na hora de entrar em cena. "Ele já está pronto. O que fiz, nas semanas que antecederam o evento, foi só uma manutenção com treinamentos em diversos locais. Vou agora poupar um pouco mais ele, pois a qualquer momento posso pegar Yuri e ir a algum local. Nesse tipo de evento não podemos trabalhar com a expectativa de que não vai haver tumulto", comenta o cabo.

Raças se destacam por serem diferenciadas

Como explica o treinador, cabo Domingos, a escolha dessas duas raças para desempenhar esse tipo de função tem um fundamento. "O labrador, assim como o pastor alemão, são cães que têm o faro bastante aguçado. Enquanto nós temos, em média, cinco mil células olfativas, eles têm cerca de 250 mil. Esses cães, bem treinados, têm 100% de acerto. Se treinou para aquilo ele vai encontrar", comenta. Ainda segundo Domingos, nos trabalhos policiais, o labrador serve somente para o faro, já o pastor pode assumir duas funções: faro e rádiopatrulha.

Não precisa nem ser policial ou trabalhar com essas raças para questões de segurança, para saber o diferencial que elas possuem. Quem tem, por estimação, um pastor ou um labrador, já percebe o potencial desses cães.

Por quase 28 anos, José Antônio Zerbetto teve contato com cães pastor alemão. Quando Bobby, de 14 anos, morreu, a família tratou de arrumar o Munk, da mesma raça, hoje com a mesma idade. "O pastor é obediente, disciplinado, dócil com os da casa, mas bravo com os desconhecidos. O interessante é que eles têm uma noção de território muito boa. Com o Bobby era assim e com o Munk é a mesma coisa. Ele sente cheiro de rato até mesmo quando passa por fora do quintal. Acho que é o cachorro ideal para uma casa", conta José.

Já a raça que encanta Gilberto Porto é a dos labradores. Ele tem duas: a Luma, de 11 anos, e a Carlota, de quatro anos. Segundo ele, "esses cães só faltam falar". "Você não acredita o que é esse cachorro: ele anda com você sem a guia; anda no carro, solto na caçamba. Ele é muito carinhoso. Além disso é muito esperto. Um pastor alemão, que pega muito, pega 25 comandos, enquanto o labrador chega a pegar 80 comandos. Além de ter um bom faro, capaz de encontrar pessoas desaparecidas e guiar um cego, ele nada muito bem", conta o criador.

O veterinário Fabiano Castellano explica que a escolha desses animais em atividades que requerem cuidado e responsabilidade – como as policiais – não tem muito a ver com o porte ou qualquer outra qualidade física, mas, principalmente, pela inteligência, em primeiro lugar, como os criadores destacam. "Eles são animais inteligentes, que obedecem, aceitam os comandos e têm uma boa conduta no treinamento. Ao mesmo tempo são cães dóceis, por isso fáceis de lidar", explica Castellano. (NF)