O ex-capitão da Marinha da Argentina, Alfredo Astiz, símbolo da repressão durante a ditadura militar argentina (1976-1983), afirmou ser um perseguido político ao questionar, nesta sexta-feira, o julgamento em que é acusado de crimes contra a humanidade.

Astiz afirmou ser vítima de uma “perseguição por motivos políticos que não busca a justiça”, a qual seria instigada pelo governo da presidente Cristina Kirchner. Astiz deu a declaração como parte de seu discurso final no julgamento, em um tribunal que julga mais de 80 casos de violações aos direitos humanos ocorridas na Escola de Mecânica da Marinha (ESMA, na sigla em espanhol) durante a ditadura argentina. Pela ESMA passaram cerca de 5 mil presos políticos. O local era um centro de tortura. Menos da metade dos presos que passaram pela ESMA sobreviveram.

Astiz é julgado pelo sequestro e desaparição das monjas francesas Alice Domon e Leonie Duquet, além de Azucena Villaflor, uma das fundadoras do grupo de defesa dos direitos humanos Mães da Praça de Maio. Junto a Astiz, são julgados outros 17 ex-militares e ex-policiais argentinos, acusados de crimes contra a humanidade. Apelidado de “anjo loiro da morte” Astiz afirmou que “o governo não vacila na vingança às pessoas que combateram o terrorismo”.

Segundo organismos de defesa dos direitos humanos, 30 mil pessoas foram assassinadas ou desapareceram durante a ditadura militar na Argentina. As cifras oficiais dizem que foram 13 mil mortos e desaparecidos.

As informações são da Associated Press.