A Síria gostaria de desenvolver energia atômica, afirmou hoje o governo do país, que já é investigado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por sua suposta tentativa de construir secretamente um reator nuclear. O vice-ministro das Relações Exteriores, Faisal Mekdad, disse, em uma conferência internacional sobre energia nuclear civil em Paris, que Damasco precisa “considerar fontes alternativas de energia, incluindo energia nuclear”.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, abriu a conferência ontem com um pedido para que muitos outros países adotem energia nuclear para produzir eletricidade, reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa e também diminuir a pressão sobre os preços de energia.

A intenção síria de fazer parte do clube nuclear, porém, deve causar uma certa preocupação, pelos laços próximos do regime com o Irã e também pelas questões não respondidas sobre a suposta tentativa do país de construir um reator em segredo.

A AIEA reclamou, no ano passado, afirmando que a Síria se recusava a cooperar com uma investigação da planta chamada Dair Alzour, bombardeada por Israel em setembro de 2007. Inspetores encontraram traços de urânio no local, assim como em um reator de pesquisa nuclear em Damasco. Há relatos segundo os quais o país trabalha com Irã e Coreia do Norte em iniciativas nucleares secretas.

A França agora trabalha para tirar a Síria do isolamento internacional e persuadir o governo sírio a se distanciar de Teerã. Potências como os EUA e a França acreditam que o governo iraniano busca secretamente uma bomba nuclear.

Israel

Um pouco antes na mesma conferência, Israel, um rival da Síria, afirmou estar pronto para trabalhar com ao menos alguns de seus vizinhos árabes para desenvolver um programa nuclear conjunto no deserto de Negev. A afirmação foi feita pelo ministro da Infraestrutura israelense, Uzi Landau. Qualquer instalação nuclear nova estará sujeita às “salvaguardas internacionais”, além de ter um aparato de “proteção física” adequado, disse.

Landau afirmou ainda esperar que os cientistas israelenses trabalhem com seus colegas de países vizinhos para desenvolver tecnologia nuclear. Israel tem a “infraestrutura técnica” e o “know-how” para desenvolver energia nuclear, acrescentou ele. As informações são da Dow Jones.