As forças de segurança abriram fogo contra milhares de manifestantes que foram para as ruas em várias partes da Síria nesta sexta-feira pedir a queda do presidente Bashar Assad, desafiando o cerco militar à cidade de Hama, onde tanques do Exército atacaram áreas residenciais durante a madrugada. Os protestos desta sexta-feira se espalharam da capital Damasco para a província de Deraa, no sul, e para Deir el-Zour, no leste. Outras manifestações ocorreram em Qamishli, norte de Homs, disseram ativistas.

Pelo menos três pessoas ficaram feridas no subúrbio de Arbeen, em Damasco, informou Rami Abdul-Rahman, líder do Observatório para os Direitos Humanos, sediado em Londres. Mais de 1.700 civis foram mortos em decorrência da repressão do regime desde março.

Hama, que se tornou o epicentro do levante no país, está sob ataque há seis dias. Um morador disse que tanques recomeçaram a fazer disparos por volta das 4h desta sexta-feira. “Se alguma pessoa fica ferida, é quase impossível levá-la ao hospital”, disse o morador por telefone, pedindo anonimato.

Ele revelou também que a cidade foi bombardeada no pôr-do-sol da quinta-feira, quando as pessoas estavam encerrando o jejum que vai do amanhecer ao final do dia, observado pelos muçulmanos durante o mês sagrado do Ramadã.

Hama, cidade de 800 mil habitantes com histórico de oposição, praticamente saiu do controle do governo desde junho, quando moradores viraram-se contra o regime e bloquearam as ruas para impedir a entrada de tanques. Mas forças de segurança sírias, apoiadas por tanques de francoatiradores lançaram uma feroz ofensiva militar que deixou corpos espalhados pelas ruas no domingo e fez com que moradores fugissem da cidade, segundo habitantes de Hama.

“As pessoas são mortas como ovelhas enquanto andam pela rua”, disse um morador na quinta-feira, falando em condição de anonimato. “Eu vi com meus próprios olhos um jovem que estava numa motocicleta carregando vegetais ser atropelado por um tanque”. Ele disse que saiu de Hama por estradas secundárias para conseguir comida.

O levante teve início em meados de março, inspirados pelas revoluções que varreram o mundo árabe. Sexta-feira se tornou o principal dia de protestos na Síria, apesar da quase certeza de que tanques e francoatiradores responderão com ataques pesados. As informações são a Associated Press.