O nível de sofisticação dos atentados no nordeste da Índia indica que militantes locais receberam ajuda de outros grupos terroristas, disseram nesta sexta-feira (31) funcionários locais. A escala e o planejamento dos 13 ataques coordenados de quinta-feira no Estado de Assam surpreenderam autoridades, que trabalham para encontrar os responsáveis. O número de mortos subiu hoje para 77, com o anúncio de novas mortes durante a noite, segundo Subhas Das, chefe de polícia estadual. Mais de 300 pessoas ficaram feridas.

O inspetor-geral da polícia de Assam, Bhaskar Jyoti Mahanta, disse que o maior grupo separatista do Estado, a Frente Unida de Liberação de Asom, era o principal suspeito. Mas a sofisticação dos atentados sugeriam que o grupo rebelde ‘foi assistido por uma força que tinha perícia adequada em ataques desse tipo’. Ele não forneceu outras informações. Um porta-voz do grupo negou qualquer papel na operação.

O grupo separatista nunca realizou um ataque tão complexo, que lembrou em parte alguns atentados ocorridos em outras cidades indianas neste ano. Esses ataques foram atribuídos a grupos militantes islâmicos bem financiados e bem armados.

O nordeste da Índia – uma região isolada espremida entre o Butão, a China e Mianmar, com apenas um estreito corredor interligando essa área ao restante do território indiano – sofre com vários conflitos. Mais de 10 mil pessoas morreram por causa da violência separatista na região, nos últimos dez anos. Há dezenas de grupos separatistas, que acusam o governo de fazer pouco pela população local, mais próxima etnicamente dos birmaneses e chineses que do restante da Índia.