Soldados sírios chegaram ontem a cidades a bordo de tanques e fizeram barreiras de areia, portando metralhadoras, em uma ofensiva oficial contra os dissidentes que devem hoje se manifestar por reformas políticas. A crise e a repressão do presidente Bashar Assad deixam a Síria cada vez mais isolada internacionalmente.

Estão previstas para hoje mais manifestações contra o regime. Na véspera, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, condenou a violência do governo contra civis e disse que a violência mostra a debilidade de Assad. “Tratar assim seu próprio povo é na verdade um sinal de grande debilidade”, avaliou Hillary.

Assad, de 45 anos, está determinado a acabar com os protestos que já duram dois meses, apesar da pressão internacional e das sanções europeias e norte-americanas. O governo dele liderou uma das repressões mais brutais, dentro da onda de revoltas populares no mundo árabe.

Organizadores de protestos convocaram uma manifestação para hoje, apesar das operações militares. “As autoridades estão prendendo qualquer pessoa que possa ser manifestante”, disse Rami Abdul-Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Abdul-Rahman disse que vários dos presos tiveram de assinar papeis dizendo que nunca mais participariam de “distúrbios”. Hillary disse ontem que as autoridades sírias cometem “prisões ilegais, tortura e negam serviços médicos a pessoas feridas”. As informações são da Associated Press.