A Suprema Corte da Rússia declarou que o último czar do país e sua família foram vítimas de perseguição política. A decisão pode ajudar o país a encerrar um capítulo de sua história.

O anúncio da corte de apelações encerra um esforço de anos dos descendentes do czar Nicholas II para que as autoridades reclassificassem as mortes da família como assassinato premeditado. Promotores, instâncias inferiores e mesmo o órgão principal da Suprema Corte rejeitaram várias vezes as alegações, argumentando que a família Romanov não havia sido executada por razões políticas.

Nesta quarta-feira, o porta-voz da corte Pavel Odintsov disse que o mais alto painel de apelações da Suprema Corte aceitou “reabilitar” a família real, declarando-a vítima de “repressão sem motivo”. Esse painel é a última instância do Judiciário russo.

Nichilas II abdicou em 1917, quando o fervor revolucionário varreu toda a Rússia. Ele e sua família foram detidos. O czar, sua mulher Alexandra, o filho e das quatro filhas do casal foram mortos a tiros por um esquadrão bolchevique em 17 de julho de 1918.

“No fim isso ajudará o país, isso ajudará a Rússia a entender sua história, ajudará o mundo a ver que a Rússia observou suas próprias leis, ajudará a Rússia no seu caminho para tornar-se um país civilizado”, afirmou German Lukyanov, advogado da família Romanov.

A Igreja Ortodoxa Russa santificou os sete membros da família real, em 2000. A decisão de “reabilitar” uma pessoa na Rússia carrega um significado político, legal e cultural. Para muitos russos, a decisão desta quarta-feira ajudará o país a superar os violentos eventos que levaram a mais de 70 anos de regime comunista na então União Soviética.

O processo de reabilitação passou a ser cada vez mais usado nos após seguintes ao colapso do regime soviético. Muitos dos mortos ou presos pelo regime comunista foram inocentados dos crimes pelos quais haviam sido acusados anteriormente.