Na véspera da eleição parlamentar no Afeganistão, o Taleban lançou ontem uma ampla ofensiva contra funcionários eleitorais e candidatos, sequestrando cerca de 30 pessoas. As novas ações da insurgência ameaçam afastar hoje os afegãos das urnas – outro duro golpe contra o já frágil governo Hamid Karzai e os esforços dos EUA para demonstrar que a democracia está sendo consolidada no país.

Militantes prometem atacar hoje locais de votação e até mesmo estradas que eleitores possam usar para chegar até as urnas. Foi proibido o tráfego de veículos em cidades e praticamente todo efetivo das forças de segurança foi mobilizado. Uma operação de guerra psicológica também está sendo conduzida pela insurgência, com distribuição de panfletos em mesquitas, envio de mensagens na internet e declarações na imprensa. A mensagem é sempre a mesma: “Se você votar, prepare-se para ser atacado.”

Só na Província de Badghis, no norte do país, oito funcionários eleitorais e dez cabos eleitorais foram capturados após caírem numa emboscada do Taleban. No leste do país, o Taleban sequestrou o candidato Mollawi Hayatullah Purqani. O automóvel do político foi parado por insurgentes na Província de Laghman e outras dez pessoas que também estariam com o candidato teriam sido levadas.

Praticamente todas as ações registradas ontem foram reivindicadas por porta-vozes locais do Taleban. O grupo afirma, agora, que levará a “julgamento” os sequestrados. Segundo organizações independentes que acompanham o processo eleitoral afegão, pelo menos 61 casos de violência ligados à votação foram registrados nos últimos dois meses. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.