Amaranta Gómez, de 26 anos, pode se tornar a primeira legisladora mexicana nascida homem, após conseguir registrar-se como candidata a uma das cadeiras da Câmara de Deputados nas eleições de 6 de julho próximo. “Este fato representa uma vitória do direito das pessoas, independentemente de sua orientação sexual, de disputar e participar politicamente”, afirmou Jesus Carvalhos, assessor jurídico do Partido México Possível pelo qual concorre a candidata que trocou de sexo.

Para obter o registro, Amaranta, que adotou esse nome após a cirurgia, também apresentou documentos oficiais que a identificam como Jorge Gómez. A candidatura corre o risco de ser impugnada por outros partidos, que consideram ilegal o registro de Jorge Gómez como Amaranta, apesar do Instituto Federal Eleitoral, antes de acatar o pedido, ter feito um estudo jurídico e determinado que não há nenhum impedimento legal.

A Igreja Católica também condenou com veemência a candidatura da transexual. No dia 13 passado, um jornal do estado sulista de Oaxaca, onde Amaranta nasceu, publicou declarações do padre Ignacio Rosette desqualificando a candidata por sua homossexualidade.

“Que a Igreja (em Oaxaca) se limite aos seus fiéis e não se envolva no processo eleitoral porque não tem qualidade moral para criticar os homossexuais, quando em suas fileiras muitos incorrem em atos de pederastia”, disse Amaranta numa denúncia encaminhada ao Ministério do Interior, acusando a Conferência Episcopal Mexicana de discriminação.

O Partido México Possível solicitou a intervenção ministerial para que a campanha eleitoral “se desenvolva no marco da abertura a novas propostas e de respeito pelas diferentes expressões sociais e políticas”. Nesse sentido, o grupo pede ao ministério que atue para que “os direitos humanos e civis de Amaranta Gómez sejam plenamente respeitados”.