Um estudo brasileiro recém-publicado confirmou que o tratamento com vacinas contra rinite alérgica pode reduzir em até 80% os sintomas da doença: coceira, espirros, secreção nasal e entupimento do nariz. Foram 10 anos de testes e pesquisas com 281 pacientes. Cada um deles foi submetido a um ano e dois meses de tratamento.

A pesquisa foi encabeçada pelo professor Edmir Américo Lourenço, da Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP). O pesquisador, que possui na carreira mais de 80 estudos publicados, tem foco no tratamento de doenças respiratórias.

  • 30%
    da população nacional sofre de rinite alérgica, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai).

Os casos foram analisados individualmente ­ 30 doses da vacina aplicadas ao longo de 14 meses. “É um resultado inédito, acima do que se vê na literatura. O índice de melhora clínica, na média, ficou em 79%. Isso é um valor muito elevado. Há alguns pacientes que melhoraram 100%”, comemora o pesquisador.

 

Custo elevado

Apesar de existir desde meados da década de 90, a vacina não está disponível no SUS. Por ser um medicamento específico, o custo varia de acordo com o tipo de alergia do paciente, mas o tratamento completo gira em torno de R$ 2 mil. “O primeiro passo é fazer testes na pele ou no sangue da pessoa para identificar as alergias e a intensidade. Só depois disso a vacina é produzida. Cada médico pode fazer o tratamento de maneira diferente, por períodos distintos. É um procedimento quase artesanal” relata.

  • 20 bi
    de dólares é o custo global da rinite alérgica, conforme a Organização Mundial da Alergia (WAO, da sigla em inglês).

 

O estudo foi publicado em março de 2016 na revista brasileira International Archives of Otorhinolaryngology, editada em inglês e que destaca trabalhos científicos do gênero no Brasil e no exterior.

 

A capital da rinite

Curitiba é conhecida, informalmente, como a “capital da rinite”. Isso se deve às condições climáticas da cidade. “Aqui, se de manhã saímos de casa com 8ºC, não é difícil enfrentarmos, à tarde, 24ºC, por exemplo. Nossa via aérea ­ nariz e boca, sofre muito com isso. A instabilidade de tempo, às vezes seco, às vezes úmido, acaba prejudicando ainda mais”, explica o otorrinolaringologista e professor de Medicina da Universidade Positivo, Vinícius Ribas Fonseca.

“Além de tudo isso, a nossa carga genética, na região Sul do país, é mais propensa a ter rinites alérgicas. Há predisposição para isso. Enfrentamos, também, agentes ambientais que podem ocasionar esse tipo de rinite, como ácaros, fungos, gramíneas e pólens”, detalha.

Segundo o profissional, a vacina não pode ser confundida com um tratamento para todos os tipos de rinite ­ ela só serve para a alérgica, que é a mais comum. A inflamação crônica na mucosa do nariz pode ser vasomotora, gravídica, viral, emocional ou inespecífica.

Principais sintomas:

  • Obstrução nasal
  • Prurido (coceira no nariz e nos olhos)
  • Secreção nasal clara ou transparente
  • Olhos avermelhados
  • Espirros (em crises ou espaçados)
  • Eventualmente ronco ou obstrução nasal intensa no período noturno

Em crises ocasionais ou com sintomas leves, o tratamento medicamentoso pode ser o suficiente. “O tratamento de crise não pode ser a vacina, porque é um procedimento de longo prazo. Os remédios podem agir de maneira satisfatória. Um corticoide com ação local, associado a um antialérgico, pode ajudar bastante”, afirma. É importante, também, identificar e afastar o causador da alergia. Caso contrário, nenhum medicamento pode surtir efeito.