Milhares de imigrantes tunisianos fizeram uma passeata na ilha de Lampedusa hoje, em agradecimento à Itália, que os acolheu após fugirem do Norte da África, mas o governo italiano e a União Europeia (UE) se preparam para conter o fluxo de imigrantes norte-africanos para a Europa.

A Itália pediu à agência europeia de fronteiras, a Frontex, com sede em Varsóvia, que aumente o controle de fronteiras ao largo da costa tunisina. Além disso, a Comissão de Assuntos Internos da UE disse que se prepara para lançar uma operação nesse sentido.

O problema da chegada de milhares de tunisianos à pequena ilha de Lampedusa, ao sul da Sicília e de Malta, é um resultado da revolução popular que derrubou o governante tunisiano Zine El Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro. Lampedusa tem apenas 6 mil habitantes. Nos últimos dias, 5.337 tunisianos chegaram a Lampedusa em barcos improvisados. Do total, 2 mil ficaram por enquanto na ilha, enquanto os restantes foram enviados a centros de triagem na Sicília.

“Nós queremos agradecer a todos os italianos e ao povo de Lampedusa, porque eles nos deram abrigo e alimentos. Eles foram muito legais conosco”, disse Zawhir Kermiti, um tunisiano de 32 anos de Kerala, que estava na manifestação de agradecimento.

Na madrugada de hoje, a Guarda Costeira da Itália interceptou um barco pesqueiro com 32 pessoas, as quais acreditam-se sejam do Egito, ao largo do litoral de Ragusa, na Sicília. Isso indica que o êxodo não se confina à Tunísia. A Itália já deteve 26 marinheiros de embarcações que transportam imigrantes clandestinos e apreendeu 41 barcos. O ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, disse que a investigação dos documentos que os ilegais traziam indicou que alguns eram criminosos comuns que fugiram das prisões tunisinas durante o caos da queda de Ben Ali, em meados de janeiro.

A Itália também prometeu doar 5 milhões de euros (US$ 6,8 milhões) em auxílio emergencial à Tunísia, e disse que abrirá uma linha de crédito de 100 milhões de euros (US$ 135 milhões) para que os militares tunisianos comprem navios patrulha, radares e equipamentos de vigilância marítima para combater o fluxo de clandestinos. As informações são da Associated Press.