Ao mesmo tempo em que a Líbia pedia ontem à Organização das Nações Unidas (ONU) que abandone a Suíça e monte sua sede em outro país, a Turquia ameaçava liderar um boicote de países árabes e muçulmanos contra o sistema bancário suíço. O protesto foi motivado pela aprovação, no fim de semana, de uma polêmica lei que proíbe a construção de minaretes em mesquitas instaladas na Suíça.

O projeto tinha sido proposto por políticos de extrema direita, mas o resultado da consulta acabou demonstrando que a maioria da população da União Europeia (UE) não tolera a presença de símbolos de religiões diferentes das suas. Na Suíça, existem 400 mil muçulmanos e 160 locais de culto. Mas apenas quatro minaretes.

A ideia proposta por Ancara tiraria o sono de qualquer suíço: os turcos pedem a todos os muçulmanos que retirem suas fortunas dos bancos de Genebra e Zurique. Estima-se que a Suíça guarde um terço das fortunas privadas do planeta, cerca de US$ 3 trilhões. Uma parte importante vem de famílias e grupos empresariais do mundo árabe.

“Estou certo de que esse voto irá fazer com que nossos países irmãos do mundo muçulmano repensem a ideia de deixar seus dinheiros e investimentos em bancos suíços”, afirmou o ministro turco Egemen Bagis, em entrevista ao jornal “Zaman”, de Trípoli. Bagis é o ministro encarregado de negociar a adesão da Turquia à UE, um projeto que hoje, segundo grande parte dos analistas, não passa de uma ilusão.

A Associação de Banqueiros Suíços admitiu ontem que teme uma possível evasão das fortunas árabes por causa da votação. Mais de 57% dos eleitores na Suíça votaram por banir os minaretes.