Eleitores turcos votam neste domingo em um referendo histórico sobre a aprovação de reformas constitucionais que podem expandir significativamente os poderes do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Se o “sim” prevalecer neste domingo, as 18 mudanças constitucionais vão substituir o sistema parlamentarista turco de governo por um presidencialista, abolindo o papel de primeiro-ministro.

Erdogan e seus apoiadores afirmam que o sistema presidencialista ao “estilo turco” pode trazer estabilidade e prosperidade a um país afetado por uma tentativa de golpe no ano passado e por uma série de ataques devastadores promovidos pelo grupo extremista Estado Islâmico e por militantes curdos.

Oponentes temem, porém, que as mudanças levem a uma autocracia, um regime de um homem só, em que Erdogan poderia governar até 2029 sem sofrer contraposições. O presidente turco tem sido acusado de reprimir direitos e liberdades.

Erdogan descreveu o referendo como uma oportunidade para “mudança e transformação” ao votar em Istambul em meio a seguranças armados que protegiam a entrada da estação de votação.

“Precisamos tomar uma decisão que está além do ordinário”, disse Erdogan, acrescentando que ele acreditava que eleitores tomariam a “decisão esperada”.

Kemal Kilicdaroglu, o líder do principal partido de oposição e maior defensor do “não” afirmou que o referendo é uma votação pelo destino da Turquia.

“Esperamos que os resultados sejam bons e que, juntos, tenhamos a oportunidade de discutir os problemas fundamentais da Turquia”, disse.

As votação começou às 7h da manhã no horário local da Turquia ocidental (cerca de 1h da manhã deste domingo em Brasília) e devem ser fechadas por volta das 16h locais (10h em Brasília). Mais de 55 milhões de pessoas estão registradas para votar, do total de uma população de 80 milhões.

Já havia filas em estações de votação em Istambul antes mesmo das urnas abrirem.

“Chegamos cedo para dizer ‘não’ em nome do nosso país, de nossos filhos e netos”, disse o agente fiscal aposentado Murtaza Ali Turgut. Outro que decidiu votar “não”, Husnu Yahsi disse: “Não quero estar dentro de um ônibus sem freios e um sistema de um homem só é exatamente isso”.

Num outro bairro de Istambul, um apoiador do “sim” defendeu a liderança de Erdogan. “Sempre iremos apoiá-lo, ele está governando muito bem”, afirmou Mualla Sengul.

Erdogan, hoje com 63 anos, chegou ao poder em 2003 como primeiro-ministro e ocupou o posto até se tornar o primeiro presidente eleito da Turquia em 2014. Ele sempre buscou expandir seus poderes como presidente e o resultado da votação vai provavelmente ter efeitos duradouros em suas relações com a União Europeia e o mundo. Fonte: Associated Press.