Ruas mais seguras, mas aumento no consumo de álcool. Além de facilitar o deslocamento nas grandes cidades, a difusão da Uber, que está presente em 700 cidades do mundo, teve alguns efeito colaterais divulgados no começo de novembro na pesquisa de três economistas – Jacob Burgdorf e Conor Lennon da Universidade de Louisville, e Keith Teltser da Georgia State University. O estudo usou dados coletados entre 2009 e 2016 pelo Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS) – sistema de pesquisas sobre a saúde dos Estados Unidos.

Os economistas buscar a correlação entre uso do aplicativo de carona e o consumo de álcool e descobriram que, desde que o app foi criado, o número de drinques consumidos por dia cresceu em média 3,1% entre os clientes da Uber, isto é 2,9 milhões de cocktails a mais por mês. Na conta mensal, o aumento médio é de 2,8%; subiu também em 4,9% a quantidades de bebidas alcoólicas tomadas numa única ocasião. O incremento maior no consumo se deu entre os bebedores rotineiros (+9%).

Os pesquisadores analisaram também a mudança no comportamento em áreas com poucas opções de transporte público. Nesse caso, o chamado “binge drinking”, em que há uma elevada ingestão de bebidas num curto período de tempo, subiu em até 21,8%. A Uber movimentou também o setor de bares e baladas. De acordo com o estudo, o emprego nesses locais cresceu 2,4% e a receita com as bebidas aumentou em 2,3%.

Como o aplicativo de carona – que completou dez anos em 2019 – se tornou uma opção para quem quer beber sem ter que se preocupar em dirigir na volta para casa, o reflexo se deu também no número de acidentes de trânsito. Várias pesquisas, realizadas em diversas cidades, apontaram uma redução na taxa de colisões. Um estudo de 2017 calculou uma diminuição entre 10% e 11,4% de acidentes nos Estados Unidos. Em Nova York, a taxa caiu entre 25% e 30%, isto é, 40 colisões a menos por mês.

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