A União Européia anuncia amanhã seu novo plano de corte de emissões de CO2, que custará mais de US$ 86 bilhões por ano para ser implementado. O projeto está causando forte resistência entre governos, empresas e ativistas e, nos bastidores, o lobby dos diferentes grupos se intensifica. A principal preocupação dos governos é a de que as novas limitações em emissões acabem afetando a competitividade da economia européia nas próximas duas décadas. O plano inclui também um maior uso do etanol, o que está despertando o interesse dos exportadores brasileiros.

No ano passado, os europeus chegaram a um acordo de reduzir em 20% suas emissões de CO2 até 2020. A taxa já era menor do que o esperado pelos cientistas, mas Bruxelas alegou que não poderia adotar um corte mais profundo enquanto as demais economias também não se comprometessem com a redução. Agora, a Comissão Européia apresenta seu projeto de como quer que esse corte ocorra até 2020.

Um dos pilares da proposta é a adoção de uma meta para o uso de biocombustíveis. A UE quer que 10% dos carros até 2020 sejam movidos a etanol. Mas ativistas, o Parlamento Britânico e até cientistas da própria Comissão alertam que a meta pode ser um erro. "O uso do etanol na Europa pode até ser prejudicial para o meio ambiente, já que forçará o desenvolvimento de uma biomassa ineficiente", afirma o Greenpeace, em estudo.

Na prática, países como o Reino Unido teriam de incrementar o uso do etanol em seis vezes para atingir a taxa pedida pela Comissão. Para conseguir cumprir com a meta, a UE admite que terá de importar cerca de 20% do etanol do Brasil e de outros países. Mas o bloco anunciará também a criação de um selo verde. "Se o Brasil quiser exportar etanol, terá de mostrar que o produto não foi resultado de devastação florestal", afirmou o porta-voz do Departamento de Energia da Comissão Européia, Ferran Tarradellas.