O Vaticano exortou a ONU a “não fechar os olhos” e adotar rigorosas medidas diante do escândalo dos agentes humanitários considerados culpados de abusar e explorar sexualmente de refugiados em diversas partes do mundo.

O representante da Santa Sé em Genebra, monsenhor Diarmuid Martid, pediu a adoção de “novas normas” e “novos códigos” para enfrentar o problema durante uma reunião do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), na qual o delicado tema foi discutido.

Em fevereiro passado, surgiram denúncias de casos de “assistência em troca de sexo” por parte de membros de organizações humanitárias em alguns campos de refugiados da África ocidental, mas, passadas as reações iniciais de indignação, o assunto foi deixado de lado.

O representante do Vaticano retomou as denúncias, observando que “a comunidade internacional afirma com renovado vigor que o uso sistemático da violência sexual nos conflitos armados é crime contra a humanidade”. “Com a mesma clareza, deve-se afirmar que a exploração sexual de crianças ou adultos por agentes humanitários é igualmente inaceitável”, destacou.

Segundo o monsenhor, a ONU deve responder por “elevados níveis de comportamento profissional, assim como a padrões internacionais de justiça e direitos humanos”. Isso deve valer especialmente quando se trabalha com pessoas que “foram vítimas, no passado, do desprezo pela dignidade humana, da violação dos direitos humanos e da lei”.

“Numa situação em que a relação de poder entre o agente internacional e o refugiado é tão desproporcional, os trabalhadores humanitários devem seguir os mais altos níveis de comportamento profissional”, ressaltou.

“Os refugiados não são simples clientes dos trabalhadores humanitários, são pessoas que foram ofendidas em sua dignidade, muitas delas na mais tenra idade”, declarou Martid. “Por esse motivo, o objetivo da proteção internacional é oferecer um espaço no qual os assistidos possam reconquistar o sentido de dignidade e de valor próprio”.