Os venezuelanos iniciaram esta segunda-feira com novas cédulas de dinheiro à disposição, que superam de forma considerável o valor das anteriores. Segundo analistas, porém, isso será insuficiente diante do vertiginoso avanço de preços no país.

Em pequenas quantidades, os bancos privados e públicos começaram a entregar a seus clientes as novas cédulas de 500, 5 mil e 20 mil bolívares, as quais substituirão até 20 de fevereiro as de 100 bolívares – que representam cerca de US$ 0,14 -, anunciou no domingo o presidente Nicolás Maduro, ao prorrogar pela terceira vez em menos de um mês a vigência da antiga nota.

Maduro eliminou no mês passado a cédula de 100 bolívares, que era até então a de maior valor, mas violentos protestos nas ruas e saques nos comércios obrigaram o presidente a ampliar o período em vigor da nota.

Maduro decidiu ainda neste mês elevar o salário mínimo em 50%, levando-o a 40.638 bolívares (US$ 60). Somando-se um vale-alimentação, a renda mensal global chegou a 104.358 bolívares (US$ 154) no país. Durante os 12 últimos meses, o presidente elevou cinco vezes o salário mínimo para compensar o avanço da inflação, de que não se tem cifras oficiais há um ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a inflação na Venezuela poderia neste ano atingir os quatro dígitos.

O diretor da Câmara de Comércio de Caracas, Víctor Maldonado, afirmou que a incorporação das novas notas é um reconhecimento pelo governo de que “a inflação acabou com o poder aquisitivo do bolívar”. Maldonado disse à Associated Press que, se o governo não impuser uma disciplina fiscal e a inflação continuar a avançar as novas notas serão “insuficientes” em breve.

As autoridades atribuíram a inflação e a escassez de produtos a uma “guerra econômica” promovida por setores oposicionistas e empresários, mas os analistas asseguram que os problemas econômicos do país estão associados com o esgotamento dos sistemas de controle cambial e de preços, vigentes desde 2003. Fonte: Associated Press.