O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, advertiu nesta terça-feira a Suprema Corte para não tomar ações que violam a Constituição, referindo-se a uma audiência judicial sobre um memorando secreto a respeito dos poderosos militares do país, em um escândalo que ameaça o líder político.

A crise está centrada em um memorando que teria sido enviado a Washington em maio, com o apoio de Zardari, pedindo ajuda para barrar um suposto golpe militar após a ação norte-americana que matou o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em território paquistanês. Zardari tem negado as acusações sobre o memorando.

Há tensões antigas entre o governo civil e o Exército, pois os militares lideraram vários golpes e comandaram o país durante boa parte de seus 64 anos de história. O governo se opôs à decisão da Suprema Corte de apurar o escândalo há uma semana, dizendo que uma investigação judicial não era necessária porque o Parlamento já analisava o assunto. O poderoso Exército, que negou tentar dar um golpe e ficou furioso com o memorando, apoia a investigação.

A Suprema Corte abriu o caso após receber uma petição sobre o tema de vários políticos da oposição, uma prática comum no Paquistão. Zardari disse que o chefe da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, deve respeitar a Constituição, uma indicação de que ele talvez tema que o juiz se una a opositores para derrubar o governo. Zardari tem disputas com Chaudhry e o Exército desde sua eleição, em 2008.

Muitos analistas concordam que o presidente tem imunidade contra processos enquanto estiver no cargo. A audiência apoiada pelo Exército na Suprema Corte levou o primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani a dizer na semana passada que havia uma conspiração para derrubar o governo. Gilani depois recuou, após o chefe do Exército, general Pervez Ashfaq Kayani, negar qualquer intenção de realizar um golpe e prometer apoiar a democracia. O primeiro-ministro negou na segunda-feira informações de que iria substituir Kayani ou o chefe da inteligência do Exército, general Shuja Pasha, para neutralizar a ameaça ao governo.

O ex-embaixador paquistanês nos EUA, Husain Haqqani, seria o responsável por entregar o memorando enviado a Washington. O documento prometeria substituir a hierarquia de segurança nacional paquistanesa por pessoas favoráveis aos EUA, em troca de ajuda para controlar os militares. Haqqani negou as acusações, mas acabou renunciando após o escândalo. As informações são da Associated Press.