Brasília (AE) – Em conversas com amigos e correligionários, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) deixou claro que a retirada do processo contra o deputado José Dirceu (PT-SP)do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara tem serventia dupla: além de denunciar a "armação" do PSDB e do PFL, ele mostrou que, mesmo sem o mandato, não pode ser considerado carta fora do baralho. "Na pior das hipótese, eu posso embaralhar o jogo", resumiu.

Jefferson está convencido de que conseguiu provocar "uma reviravolta" na crise política que caminhava para a solução simplificada de cassar o mandato de dois "peixes grandes" – ele e Dirceu e, assim, dar uma satisfação à opinião pública. Jefferson tem repetido nos últimos dias que não quer ser o "algoz" do deputado do PT de São Paulo. O que o ex-deputado do PTB do Rio quer agora é expor o jogo de cada um – partidos e líderes, obrigando-os a movimentar-se de forma pública para alcançarem os objetivos.

"Não vão imputar a mim a cassação de Dirceu porque não sou massa de manobra, nem sou movido a ódio", insiste Jefferson, certo de que "o jogo estava jogado, e agora não está mais". Amigos dele dizem que tem gente muito mais interessada do que ele na degola de Dirceu. Principalmente, dentro do próprio PT. É lá que Jefferson afirma acreditar que o movimento terá grande repercussão, fomentando a guerra interna.

O ex-deptuado do PTB afirma também não ter dúvidas de que PSDB e PFL "são vinhos de uma mesma pipa". Jefferson diz que as duas legendas trabalharam votos no plenário para cassá-lo, numa articulação conjunta com o objetivo de livrar da degola os dois filiados envolvidos nas denúncias do "mensalão": o presidente nacional tucano, senador Eduardo Azeredo (MG), e o deputado Roberto Brant (PFL-MG). O que o ex-deputado não sabe é se o PSDB pediria a cassação do deputado do PT, caso o processo contra o ex-ministro seja retirado como ele propõe. O troco, adverte, pode ser a denúncia contra Azeredo. Jefferson sabe que, a esta altura, o movimento pode ser inútil no que se refere a paralisar o processo contra o deputado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, por quebra de decoro. Mas aposta que a discussão será reveladora porque, nela, todos ficarão expostos, até mesmo o presidente do órgão, Ricardo Izar (PTB-SP). "O Roberto jogou para bagunçar o coreto, e bagunçou", diz um dirigente petebista.