Durante oito anos, Nalbert foi o capitão da Seleção Brasileira de Vôlei. Chamava a atenção, gritava, comandava os companheiros e chamava para si toda a responsabilidade de decidir as jogadas. Agora no vôlei de praia, aos 31 anos, o campeão olímpico será "apenas" um aprendiz do parceiro Guto, com quem treinou hoje pela primeira vez, no Rio de Janeiro.

Sobre acatar as decisões do parceiro, que joga vôlei de praia desde 1998, o "novato" está tranqüilo: "Tenho humildade suficiente para saber ouvir e assimilar o que ele vai me falar. Acho que seria estranho é se ele não dissesse nada. Agora, a braçadeira de capitão fica para ele."

Não faltou entusiasmo após o primeiro treino. "Estou me sentindo um juvenil. Já estava há quase três meses sem competir, hoje deu para voltar a sentir um friozinho na barriga. Foi um treino bom. O Guto é um cara que vai me dar bagagem na técnica do vôlei de praia, e acho que em troca posso passar a experiência de momentos decisivos que trouxe da Seleção", diz Nalbert.

"Até as dores que sentia nas costas, joelhos e ombros diminuíram. Na praia a exigência física é menor – você precisa mais de técnica e habilidade. Já estava ficando difícil segurar na quadra."

Há quase três meses Nalbert vinha treinando sem Guto, acompanhado de um staff e do técnico Marcos Miranda. "Treino no Leblon, vou de bicicleta, é outra coisa. Olha esse céu azul, esse sol", disse Nalbert, que em seguida ressaltou: "Claro que a qualidade de vida na praia é muito diferente do que é na quadra. Mas diferentemente de outros atletas que vieram para a praia, eu já vou avisando que não espero vida fácil. Vim para ralar muito e conseguir disputar uma Olimpíada."

A preparação de Nalbert está na terceira etapa. A primeira foi montar o staff e achar um parceiro, a segunda a adaptação ao esporte, e a terceira, que está no início, é conhecer melhor Guto, que antes jogava com Pedro Cunha. A estréia será no Circuito Brasileiro, em Fortaleza, entre 21 e 24 de setembro.

Até o começo de 2006, Nalbert diz que não espera grandes resultados: "Vamos treinar muito, nos conhecer melhor e entrar para valer no circuito brasileiro em 2006, para começar a já pensar no Pan e na Olimpíada de Pequim/2008. Não é um caminho fácil."

Sobre a Seleção de Bernardinho, que está disputando a Copa América em São Leopoldo (RS), o ex-capitão admite que tem saudade. "Infelizmente não posso fazer duas coisas ao mesmo tempo. Desde que decidi que viria para a praia eu sabia que a Seleção estava bem estruturada, e isso me deixou tranqüilo. O grupo é muito bom e ainda vai ganhar muita coisa. Só que as coisas vão ficar difíceis, todo mundo quer cair matando contra o Brasil."

E foi justamente decidir entre quadra ou praia o pior momento na preparação de Nalbert: "As tentações da quadra foram as coisas mais complicadas. Tive uma proposta da Rússia que me fez tremer as pernas, mas quando decidi os patrocinadores na praia vi que queria mesmo isso aqui. Não acreditava que pudesse ter tanto investimento assim, mas o pessoal de cara apostou em mim e no meu nome."

De fato, o investimento na dupla Nalbert/Guto é alto. Os três patrocinadores, AGF Seguros, Medley e Oi, injetaram mais de R$ 1 2 milhão na temporada.