Brasília – O candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB/PFL) disse  nesta quarta-feira (18) que não pretende privatizar empresas públicas caso seja eleito. Ele falou sobre o assunto à tarde em um encontro na sede da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil. Cerca de 120 pessoas participaram do evento.

?Não vamos vender nenhum ativo, privatizar nada. O que queremos é ter a participação do setor privado em áreas de infra-estrutura para o país poder crescer mais, ter mais emprego, renda e trabalho?, afirmou Alckmin.

Segundo ele, o Banco do Brasil e a Caixa contribuem para o desenvolvimento do país. ?Essas instituições são instrumentos do desenvolvimento, do apoio à pequena empresa, à agricultura, à construção civil, à indústria, à exportação, ao turismo, aos serviços.?

O candidato a presidente ressaltou que pretende estimular os funcionários de carreira e valorizar os concursos públicos. E criticou a nomeação de correligionários para cargos em empresas públicas.

Sobre as privatizações realizadas durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alckmin afirmou que elas foram necessárias.

?O Brasil ganhou com isso (as privatizações). Foram 100 bilhões de investimento na área de telefonia. Hoje nós temos 90 milhões de pessoas com telefone celular. Houve privatizações necessárias para trazer investimento para o país andar mais depressa. Aliás, não reestatizaram nada. Se estava errado, deveriam ter feito.?

Pela manhã, Alckmin foi sabatinado por cerca de duas horas na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Diante dos advogados, ele afirmou que irá trabalhar pelo fim da reeleição.

O candidato a reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PRB/PCdoB) também foi convidado para o evento na OAB, mas não compareceu. De acordo com a coordenação da campanha, Lula já tinha compromissos agendados.

Na OAB, Alckmin criticou a forma como seu adversário conduz a disputa pela reeleição: "O que vemos hoje é uma mistura de candidato e governo, uma não separação da questão eleitoral e da questão governamental absurda", disse o ex-governador de São Paulo. "Reeleição é um pouco mais do mesmo. Se ele (Lula) for reeleito, acaba antes de começar. Já começa (o mandato) discutindo 2010."

A emenda constitucional que instituiu a reeleição no Brasil foi aprovada e regulamentada em 1997, durante o governo de  Fernando Henrique Cardoso (PSDB), reeleito em 1998. Alckmin foi reeleito governador, em 2002.

Na sabatina da OAB, ele destacou três pontos que pretende perseguir no governo federal: a questão ética, a qualidade do serviço público e o crescimento.

Alckmin manifestou-se a favor dar reforma agrária, que disse ser "correta" e necessária. Ele afirmou que, se eleito, vai trabalhar para dar melhores condições aos assentamentos da reforma agrária já existentes.