O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo não quer deixar que a rentabilidade da poupança se torne um piso para a queda dos juros básicos da economia, a taxa Selic. Segundo ele, essa foi a principal razão da decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de mudar a forma de cálculo da TR (Taxa Referencial) para reduzir a rentabilidade das aplicações na poupança. "Senão, a Selic não poderia cair mais", disse em entrevista à Agência Estado. "Daqui a pouco, a Selic iria empatar com a poupança.

Mantega negou rumores de que o governo iria pôr fim à isenção do Imposto de Renda (IR) que é dada aos investimentos em poupança, como querem instituições financeiras administradoras de fundos de investimentos. Com a queda da Selic, o ganho da poupança – considerada a aplicação de menor risco e a mais procurada pela população de baixa renda e pequenos investidores – está ficando cada vez mais atrativo e um grande concorrente dos fundos de investimentos e Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).

A isenção do IR dá uma vantagem adicional ao investidor em poupança em comparação ao das outras aplicações. "Não vamos tirar a isenção do IR", tranqüilizou o ministro. "Esse risco não existe", disse.

Ele também negou que o governo esteja estudando mexer no piso de juros de 6% ao ano. O ministro ressaltou que a poupança, antes da mudança, estava garantindo uma rentabilidade em torno de 8% ao ano. "Esses 8% na poupança correspondem a 10% da Selic", afirmou. "Quando tínhamos uma inflação de 6% ao ano e um rendimento da poupança de 6% ao ano mais TR, o 6% de inflação comiam a rentabilidade da poupança e o aplicador ficava só com a TR", explicou.

Mantega negou que a mudança tenha sido feita para atender a pressões das instituições financeiras. "Atendeu coisa nenhuma", disse. Também negou rumores de que o Banco Central teria condicionado a redução da Taxa Selic à aprovação de mudanças na TR pelo CMN. "O BC não põe condição nenhuma".