Uma nova era Tyson teve início no boxe sábado à noite, em Stuttgart, na Alemanha. O usbeque Ruslam Chagaev, apelidado de ‘Tyson Branco’ conquistou o título mundial dos pesos pesados, versão Associação Mundial de Boxe, ao derrotar, por pontos, após 12 assaltos, o russo Nicolay Valuev. Dois jurados foram a favor de Valuev (117-111 e 115-113) e outro optou pelo empate (114-114).

Valuev, de 33 anos, 2,13 metros e 144 quilos, perdeu pela primeira vez após 47 lutas e teve cancelado seu projeto de superar a marca histórica de Rocky Marciano, que abandonou os ringues invicto, com 49 vitórias seguidas, na década de 50.

‘Cometi muitos erros e não caminhei corretamente. O resultado foi justo. Venceu o melhor. Chagaev deve ficar com o título por um tempo’, afirmou Valuev.

Chagaev, de 28 anos, segue sem perder. Foi a 23ª vitória, e o pugilista, de 1,85 metro e 103 quilos, soma um empate. ‘Agradeço muito a todos que acreditaram em mim. Pude mostrar meu valor’, festejou o lutador, que no amadorismo venceu por duas vezes o lendário cubano Felix Savon, tricampeão olímpico e hexa mundial.

‘Sei que sempre posso vencer os melhores’, disse Chagaev, que ainda não sabe o que fará no futuro. O mais provável é que dispute luta unificatória com o ucraniano Wladimir Klitschko, campeão da Federação Internacional de Boxe.

O combate no Porsche Arena, em Stuttgart, foi emocionante. A melhor luta dos últimos tempos na ‘doente’ categoria dos pesos pesados, carente de grandes ídolos. O primeiro round começou lento, com Valuev tentando manter a vantagem na envergadura, mas Chagaev mostrou o porquê de ser conhecido como ‘Tyson Branco’.

Encurtou a distância e, com golpes duros na cintura, diminuiu a resistência de Valuev. Por sua vez, o pugilista russo calou os críticos norte-americanos ao demonstrar garra impressionante e não sofrer queda, apesar dos ataques do rival.

O 11º round foi o melhor da noite. Chagaev encurralou Valuev nas cordas e acertou vários golpes na cabeça do gigante, que, ainda assim, teve forças para tentar o contra-ataque.

O 12º e último assalto foi eletrizante, com o público em pé aplaudindo os pugilistas. Por incrível que pareça, o Leste Europeu ensina os americanos como organizar uma grande luta dos pesados.