No esforço de prestigiar partidos da base aliada no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sacrificou o PT. Com um discurso rápido e uma cerimônia modesta na sala de audiências do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou nesta quinta-feira (8), oficialmente, os novos líderes governistas que farão a defesa de sua administração no Congresso. Coube ao PMDB e ao PTB, o papel de destaque no colegiado, antes ocupado pelo PT. Além de confirmar o senador Romero Jucá (PMDB-RR) na liderança do governo no Senado, substituindo o petista Aloizio Mercadante (SP), Lula nomeou a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) líder no Congresso, prestigiando seu velho amigo e aliado no Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A liderança governista na Câmara ficou com o deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), que passa a ocupar o posto que foi do atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ao longo do primeiro mandato. Ao PT, coube apenas uma vice-liderança, entrega ao ex-líder do partido na Câmara Henrique Fontana (RS). O vice-líder Beto Albuquerque (PSB-RS), que chegou a assumir a cadeira do titular durante a campanha de Chinaglia para a presidência, manteve sua cadeira como auxiliar de José Múcio.

"Espero que este quinteto aja com mãos de ferro na medida em que tiver que defender os interesses dos projetos do governo no Congresso", disse o presidente Lula, logo depois que seu ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, anunciou o nome do time governista. Na platéia, apenas duas dezenas de líderes e dirigentes dos partidos aliados na Câmara e no Senado, entre os quais o presidente do PMDB e candidato à reeleição, deputado Michel Temer (SP).

A decisão de fazer uma solenidade simples com platéia reduzida foi tomada depois da ausência anunciada do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Magoado com o que considerou "traição" do governo na sucessão do PMDB, Renan negou-se a atender aos apelos de Roseana para que comparecesse ao Palácio e prestigiasse sua posse. Argumentou que se tratava de uma "posse de governo, um assunto interno do Planalto", que nada tinha a ver com a presidência do Senado.

Logo depois da posse, Lula fez sua primeira reunião com os líderes e deixou clara sua preocupação com o movimento da oposição para criar uma CPI destinada a investigar a crise do setor aéreo. "O governo não tem o que esconder e a Câmara pode tratar este assunto como bem entender", disse o presidente segundo relato dos líderes. Recomendou, no entanto, que todos ficassem alertas no sentido de evitar que o Congresso perdesse o foco naquilo que é fundamental ao País: a aprovação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Pediu, também, um relacionamento mais estreito e uma maior aproximação entre a Câmara e o Senado, para agilizar as negociações e votações dos projetos do PAC, garantindo que os acordos feitos em uma Casa Legislativa sejam respeitados pela outra.