O secretário nacional dos Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda, e o ouvidor agrário nacional, Gercino Silva, acompanham hoje, às 16 horas, em Passira, no interior de Pernambuco, o enterro dos irmãos Edílson Rufino e Francisco Manoel, assassinados na madrugada de quinta-feira dentro de casa, enquanto dormiam. Está prevista também a presença de mil militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao qual os dois irmãos eram ligados.

Edílson, de 36 anos, e Francisco, de 28, faziam parte do Acampamento Gregório Bezerra, que luta pela desapropriação da fazenda Recreio. É tenso o clima no povoado de Chã Negro, a 15 quilômetros de Passira, 28, onde ocorreu o crime. No dia da morte de Edílson e Francisco, parentes e amigos ficaram da meia-noite até as sete da manhã sem poder retirar os corpos dos dois de casa porque nenhum vizinho quis prestar socorro, com medo de se envolver.

Além disso, a Polícia Civil, mesmo acionada, não enviou nenhuma viatura ao local. Na Delegacia de Passira, funcionários informaram que o agente que recebeu a ligação telefônica comunicando o crime pensou que se tratava de um trote.

De acordo com Joba Alves, da coordenação do MST em Pernambuco, os trabalhadores foram assassinados por pistoleiros contratados pelo proprietário da fazenda Recreio, de 700 hectares, já que ajudaram a polícia a identificar e prender quatro jagunços envolvidos com a expulsão a bala de 220 famílias de agricultores, no dia 6 de novembro.

Alves denunciou a existência de milícias armadas por parte de fazendeiros das cidades de Passira, João Alfredo e Salgueiro.