Rio de Janeiro – No Brasil, 3,5 mil crianças nascem a cada ano com doença falciforme, segundo o Ministério da Saúde. A incidência é maior que a de doenças como aids e dengue. Para a coordenadora da Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme do ministério, Jóice Aragão de Jesus, o número é "muito alto". "Uma em cada mil crianças nasce com a doença, e isso requer medidas de saúde pública?.

A doença, que é um dos principais problemas de saúde enfrentados pela população negra, é tma de debate hoje (27) e amanhã, no 1º Encontro Nacional de Associações de Pessoas com Doença Falciformeno, que ocorre no Rio de Janeiro durante.

A doença falciforme é caracterizada por uma alteração sangüínea que causa anemia crônica, dores generalizadas e icterícia, atingindo, principalmente, pessoas de origem africana. Nesses pacientes, as células do sangue têm um formato diferente do normal, o que dificulta a circulação e pode levar a acidentes vasculares cerebrais (os populares derrames), lesões em diversos órgãos e úlceras de perna.

A maior incidência está nos estados em que houve grande presença de escravos durante a colonização, como o Rio de Janeiro e a Bahia. No estado fluminense, estima-se que 1 em cada 1,2 mil bebês nasçam com a doença, que é hereditária, ou seja, transmitida de pai para filho. Ao todo, existem hoje cerca de 8 mil casos no Rio de Janeiro.

O número de pessoas que não têm sintomas, mas carregam o gene da doença, é ainda maior. Segundo dados do Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), 4,5% da população do Rio de Janeiro tem na sua estrutura genética o traço falêmico, o que significa que podem vir a gerar filhos com a doença. Apesar de ser mais freqüente em indivíduos de origem africana, a doença atinge pessoas de pele clara, já que há no país uma grande miscigenação entre as raças.

Segundo a diretora técnica do Hemorio, Clarice Lobo, a doença falciforme é a que tem maior prevalência no mundo, depois que foi disseminada com a migração escravos negros para as Américas e para a Europa.