No terceiro sábado de setembro é celebrado o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, que em 2021 cai em 18 de setembro. O Brasil tem o terceiro maior banco de possíveis doadores do mundo. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) conta com mais de 5 milhões de voluntários cadastrados.

Mas este ano, o Ministério da Saúde alterou a idade limite para o cadastramento de candidatos à doação de medula óssea que passou a ser de 35 anos – antes era de 55. Por isso, é importante que a mensagem chegue cada vez mais para a população jovem. Quanto mais pessoas cadastradas, maior a chance do paciente encontrar um doador compatível de medula fora do seu grupo familiar.

Esse “match” – encontro de compatibilidade sem grau familiar – só acontece em 1 a cada 100 mil pessoas. Mariana Costa Vieira, de Porto Alegre (RS), fez o transplante de medula óssea em janeiro de 2020, no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR). Diagnosticada com LLA – leucemia linfoide aguda, aos 3 anos e meio, ela fez o tratamento de 2 anos e teve a primeira recidiva após 1 ano, quando começou a busca por um doador.

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“Fez 3 anos de quimioterapia e, por duas vezes, teve a doença zerada. No entanto, em 2019, teve a segunda recidiva, onde a leucemia era isolada em sistema nervoso central. Desta vez, o transplante era o tratamento ideal, assim retomaram as buscas por um doador. E, em setembro de 2019, recebemos a notícia que tinham dois doadores compatíveis – em janeiro de 2020, fizemos o transplante. E graças a Deus, a Mari está curada”, conta Renata Francisca Ribeiro Costa, mãe de Mariana.

Para ser um candidato à doação, é preciso ter entre 18 e 35 anos, boa saúde e não apresentar doenças infecciosas ou hematológicas. É colhida uma amostra de sangue com 5ml para testes destinados ao exame HLA (Antígenos Leucocitários Humanos) que irá determinar as características genéticas necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

De acordo com a Dra. Arlene Badoch, coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes, essa alteração no limite de idade para se candidatar a ser um doador ocorreu para aumentar a chance de se encontrar um receptor: “O ideal é ter um banco de doadores jovens, pois é mais rentável para toda a pesquisa de compatibilidade e o investimento que é feito. Além disso, é importante que, ao se candidatar, haja a fidelidade nas informações, ou seja, caso mude de endereço ou telefone, é preciso atualizar o cadastro para, em uma possível compatibilidade, não gerar frustração para quem aguarda a doação para viver”, explica.

Para isso, basta acessar: http://redome.inca.gov.br/doador-atualize-seu-cadastro/

Em Curitiba, a Biometrix disponibiliza ao mercado diferentes kits de tipagem HLA de baixa / média resolução bem como kits de alta resolução (alta definição). É esse exame que verifica a compatibilidade entre o doador e receptor. Para portadores de leucemias, o TMO (transplante de medula óssea) se torna a única forma de tratamento quando outras alternativas não apresentaram sucesso. A histocompatibilidade entre doador e receptor é um dos fatores cruciais para o sucesso do transplante. Muitos pacientes não encontram o doador ideal na família, tendo como opção a busca pelo doador HLA compatível, através do REDOME.

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“A Tipagem HLA baixa/média resolução identifica o grupo alélico a que os genes pertencem. É um resultado baseado em DNA através de tipagem molecular, ao nível dos dígitos que compõem o primeiro campo na nomenclatura baseada em DNA. Considerando a grande variabilidade alélica dos genes HLA, o sucesso nessa busca torna-se um trabalho minucioso e complexo”, explica Marcelo Mion, Gerente de Suporte ao Cliente e Treinamento da Biometrix Diagnóstica. Se nesta fase encontra-se um possível doador, realizam-se testes de alta definição para a final escolha do doador.

Entendendo o HLA

O sistema imunológico tem a função de identificar e reagir a organismos estranhos. Este processo é baseado na identificação dos antígenos, a “marca biológica” de cada célula. Quando o organismo reconhece um antígeno estranho, desencadeia uma resposta com o objetivo de destruí-lo. Este corpo estranho detectado pode ser tanto uma bactéria ou vírus, como um tecido, órgão ou medula transplantados. Assim, o HLA é o responsável pela histocompatibilidade.

É importante saber que o HLA é herdado, uma parte da mãe a outra do pai. A identidade HLA é composta por vários genes agrupados na mesma região no cromossomo 6. Cada gene possui uma diversidade muito grande de alelos. Sabe-se que mais de 11 mil alelos já foram identificados em todo o mundo. Por isso, é muito raro que dois indivíduos não relacionados tenham o mesmo grupo de genes. A grande complexidade dos transplantes é encontrar esta compatibilidade entre doador e receptor.