A agência de classificação de risco Standard & Poor’s não vai melhorar a nota (rating) do Brasil em função da revisão do PIB, que foi ampliado em 10,9% em relação ao número da metodologia anterior. "Definitivamente não. A mudança nas taxas não é suficiente para mudar o rating", disse à Agência Estado a analista Helena Hessel, da S&P em Nova York.

Ela acha que há uma "excitação excessiva no Brasil com isso". Explicou que a análise feita pela S&P "não é mecânica". "Números são só números. Nós os usamos, mas olhamos tudo qualitativamente. Vemos as razões por trás dos números". Por isso mesmo, informou, a mera redução do porcentual do superávit primário em relação ao tamanho da economia devido ao aumento do PIB "não é um motivo de preocupação".

De acordo com a analista, mesmo com a revisão, a expansão da economia brasileira "não é exatamente um grande crescimento". Helena disse que o aumento com a revisão metodológica da pesquisa ficou parcialmente associado à economia informal.

A analista observou que a alteração feita pelo IBGE nas Contas Nacionais revelou alguns indicadores melhores e outros piores do que antes. "Mas as mudanças não são dramáticas", avaliou. Entre os que melhoraram está a dívida em relação ao PIB, que caiu.

Por outro lado, a taxa de investimento, calculada em 16,3% do PIB em 2005, o dado mais recente na nova metodologia, por enquanto, "é um nível muito baixo". Ela lembra que as máquinas, equipamento e instalações sofrem depreciação, deterioram-se. De acordo com ela, o nível de investimento inferior a 25% do PIB apenas mantém o capital fixo, mas para que ele aumente é preciso um investimento maior. Outro indicador que piorou foi o de exportações em relação ao PIB, que também caiu, comentou.