O presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb, afirmou que o novo formato da linha de pré-embarque para automóveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é fundamental para manter o nível de competitividade da indústria automotiva. Segundo ele, 33% da produção brasileira é exportada, o que significará a venda para o mercado externo de 980 mil unidades este ano.

Pelo segundo dia consecutivo, a indústria automobilística recebe um empurrão do governo. Ontem foi anunciado um pacote de medidas cambiais, que visam diminuir os custos dos exportadores e, de quebra, conter a valorização do real. A indústria de automóveis esteve entre as que mais reclamaram este ano do valor do real frente ao dólar, que estaria prejudicando suas exportações.

Golfarb disse que a linha do BNDES deve interromper um processo de redução das exportações. Segundo ele, no primeiro semestre deste ano, houve uma queda de 3,4% nas unidades exportadas na comparação com o mesmo período de 2005. Essa queda, explicou, decorreu do aumento do custo das empresas e de sua perda de competitividade. Ele admitiu, no entanto, que, em valores, as exportações cresceram neste mesmo período 5,5%. Ele também acredita que todas as montadoras acessarão a nova linha assim como fizeram com a linha que já estava em funcionamento.

Sobre as medidas cambiais, sua opinião é de que devem representar uma redução em torno de 4% no custo total de todas as transações das empresas. Ele acredita que a medida é uma sinalização importante na liberalização do comércio e fundamental para um país com o nível de exportação do Brasil. Além disso, ele afirmou que o pacote cambial tira "um pouco o ímpeto da valorização do real".

Sindicatos

O presidente da CUT, Artur Henrique, disse esperar que a iniciativa do BNDES em condicionar a redução do spread (diferença entre a taxa de captação e a de empréstimo) ao número de empregos seja um primeiro passo para outras iniciativas de bancos oficiais. Segundo ele, a CUT tem insistido na necessidade de os bancos públicos incluírem nos seus empréstimos contrapartidas sociais. A linha prevê spread menor para as montadoras que mantiverem ou aumentarem o nível de emprego. O presidente do BNDES, Demian Fiocca, afirmou ser a primeira vez que o banco inclui uma meta social em uma linha de financiamento do banco.

O presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, disse que a medida beneficia não só as montadoras, mas também o setor de autopeças.