São notórias as asperezas enfrentadas pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, para manter-se no espinhoso cargo, sobretudo depois do acidente com o avião da Gol e da interminável novela do atraso dos vôos em escala nacional, um tormento para os clientes das companhias aéreas.

Homem que construiu uma carreira pública invejável pelas qualidades de caráter e honradez, tendo sofrido como poucos componentes da atual estrutura de poder na República, o vezo maniqueísta do ciclo de governos militares, os fados levaram o ex-preso por delitos de opinião ao cargo de ministro da Defesa.

Dizendo de outra forma, Waldir passou a ser o chefe institucional dos comandantes hierárquicos do Exército, Marinha e Aeronáutica, com os quais – é importante registrar – sempre teve trato respeitoso e produtivo.

Ocorre, porém, que esse patrimônio moral não tem rendido ao ministro Waldir Pires a excelência administrativa desejada. Ao contrário. Tanto é que sua substituição passou a ser questão fechada para o presidente, embora a decisão seja tolhida pela imensa dificuldade de localizar no mafuá montado à roda do Palácio do Planalto personagem adequado à função.

No fulcro da purgação de Pires está o acalorado debate em torno da CPI do Apagão Aéreo, que a muito custo o governo conseguiu travar com os votos do PMDB, primeiro tributo do partido à quina ministerial.