O primeiro emprego no Brasil é algo intangível e sempre mais distante de se tornar uma conquista pessoal realizada. A constatação é mais cruel, tendo em vista que candidatos ao primeiro emprego situam-se na faixa etária dos 16 aos 24 anos de idade, uns começando o ciclo do ensino médio e os outros – que tiveram a oportunidade – saindo dos bancos universitários.

Todos, porém, igualados pela condição social mais punitiva que se possa conhecer, a recusa do mercado em oferecer-lhes um posto para o início duma carreira profissional de sucesso. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o percentual elevado de 45,5% do total de brasileiros desempregados é representado por jovens de 16 a 24 anos.

O quadro é acabrunhante nas regiões metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador e no Distrito Federal, praças em que o Dieese levantou os dados para fechar a pesquisa. Como estrato da população economicamente ativa (PEA), se destacam nas regiões investigadas 3,2 milhões de desempregados jovens, dos quais 1,5 milhão já completaram 24 anos.

Ou seja, se este contingente está procurando emprego desde os 16 anos, quase uma década se passou e seus integrantes continuam contados entre os brasileiros que vivem à custa dos pais ou parentes, fazendo um bico aqui e outro acolá, quem sabe já sugados pela informalidade.

Na Região Metropolitana de São Paulo, o Dieese localizou um parâmetro que torna mais carrancuda a face da problemática que zomba da capacidade de resolução dos governantes, de resto conferindo aos empresários a marca da antipatia, embora haja imensa injustiça no imediatismo de que os empregos não existem por sua culpa.

Em geral, as taxas de desemprego são maiores entre a população ativa de 25 anos ou mais. Os números paulistas são diferentes e, por assim dizer, chocantes. Enquanto o desemprego aflige 11,9% dos maiores de 25 anos, quase o triplo de pessoas entre 16 e 24 anos (29,89%) passa pelo constrangimento da indiferença do mercado de trabalho. Contudo, a vanguarda da infelicidade está concentrada na Região Metropolitana de Salvador, capital do feudo dominado pelo coronelismo político mais atrasado do País: 41,4% dos jovens estão desempregados.

Nas demais regiões pesquisadas pelo Dieese, a taxa média é de 18,3% e não envaidece ninguém. Não fosse pela extensão da amargura vivida atualmente por milhões de famílias, poder-se-ia acrescentar às mazelas decorrentes da falta de oportunidades para o trabalho dignificante a atração de grande parte dos jovens para a marginalidade, também uma característica das principais regiões metropolitanas.

Os meninos se encaminham para o tráfico ou consumo de drogas, e os flagrantes diuturnos da imprensa aí estão para atestar, ao passo que as meninas tangidas pela fome passam a vender o corpo para sobreviver. O doloroso é que nesta faixa etária se encontra a maioria das vítimas de mortes provocadas por armas de fogo, no esgotamento de um círculo vicioso pertinaz e destruidor de esperanças.

Quando o poeta versejou que crianças não veriam nenhum país como este, estava coberto de razão.