Depois de duas horas de audiência no Palácio do Planalto, o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) disse ontem que se emocionou ao reencontrar e abraçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Nunca fui inimigo dele", afirmou. Foi a primeira vez que Collor entrou no Palácio desde que deixou a Presidência após o impeachment, em 1992.

Também foi a primeira vez que Collor e Lula se encontraram após o último debate nas eleições de 1989. Na conversa, eles não teriam comentado a disputa, em que Lula acusou o adversário de "jogo sujo". "É como se fosse uma coisa que se quer tivesse ocorrido", disse Collor ao deixar o Palácio. "Esse filme não passou na nossa conversa, o presidente foi carinhoso.

Em entrevista, Collor afirmou que as divergências com Lula estão superadas. "Quem está na vida pública sabe gerenciar muito bem o que são passagens no calor e no fragor de uma campanha e o que são passagens de um tempo normal", disse. "A sensação é que eu tinha estado com o presidente ontem.

Collor foi questionado se achava que a sociedade esqueceria o que ocorreu no governo dele (1990-1992), os escândalos políticos levantados na CPI do PC Farias. "Isso só o futuro pode dizer, né? Pelo menos essa eleição demonstrou com muita clareza o que o povo quer", disse. A uma observação de que o povo, em questão, era apenas o de Alagoas, o ex-presidente completou: "Concordemos que foi um bom começo.

Collor nega que queira reescrever a história. "Não é a questão de se reescrever a história, o que se faz é interpretar a história", disse na entrevista. "O que eu estou fazendo nestes dias é dar a minha interpretação dos fatos históricos que marcaram 1992.