O Estado brasileiro custa atualmente R$ 800 bilhões, ou algo em torno de 36% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em R$ 2,3 trilhões. Os números impressionam e, de acordo com o economista Luiz Guilherme Schymura, diretor do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), fazem saltar aos olhos de empresários e consumidores a verdade meridiana do tamanho da nossa carga tributária.

Segundo o analista, o peso dos impostos é tão duro de suportar porque o País passou a apostar, pelo menos em tese, no modelo de distribuição de renda. Schymura explicou que ?a opção foi coroada com a Constituição de 1988?, cuja prioridade máxima era distribuir aos mais pobres e garantir condições para uma melhor mobilidade social.

Comparando com a China, que optou por uma perspectiva pró-crescimento na visão do economista da FGV, o custo do Estado é muito menor. Todavia, lá não existe sistema previdenciário e o trabalhador é demitido sumariamente sem a menor proteção. Schymura lembra que é por essas e outras razões que a China cresce, em média, 10% ao ano.

Felizmente, ele se diz contrário a um crescimento desse tipo, colocando-se ao lado do sistema distributivista: ?Não podemos crescer 10% ao ano durante duas décadas para só depois distribuir renda. Muitas pessoas morreriam e vidas não podem ser recuperadas! A vida dos filhos dessas pessoas melhoraria, mas a um preço altíssimo. É melhor crescer menos e não sacrificar tanto esses indivíduos?.

O diretor do Ibre, contudo, aponta sérias anomalias no sistema previdenciário brasileiro, salientando que a aposentadoria por tempo de contribuição custa hoje ao governo cerca de R$ 50 bilhões. ?Se pensarmos que o investimento público para esse ano é de R$ 15 bilhões para obras de infra-estrutura, é dinheiro demais. Muitos beneficiários desse programa têm alto poder aquisitivo e isso distorce os objetivos constitucionais.?

O Brasil também gasta muito com pensões – 3% do PIB – sendo bastante elevado o número de pensionistas que têm mais de uma fonte de renda e pertencem ao estrato populacional considerado rico. A inovação, no entendimento do economista, estaria em beneficiar, efetivamente, os grupos menos representativos da sociedade.