Os últimos dados foram lançados pelos contendores da liça travada palmo a palmo por Roberto Requião e Osmar Dias, em busca da prerrogativa constitucional de governar o Paraná. O dia da eleição se aproxima e os operadores políticos de ambos os lados aprestam as armas, auxiliados por grupos de marqueteiros que travam, a seu modo, uma batalha particular.

O segundo turno apresenta uma característica própria, ou seja, o remanejamento radical e, não raro, inusitado, das forças aparentemente antagônicas na primeira rodada. Como dois enxadristas compenetrados, os candidatos armaram seus tabuleiros segundo as táticas mais convenientes para o reinício do jogo. Como comandantes em guerra, cada um dispôs seus batalhões e armamentos em posições estratégicas do espaço a ser conquistado e o entrevero começou.

O candidato da coligação Paraná da Verdade, senador Osmar Dias, recebeu o apoio de uma falange imensa de deputados federais e estaduais, eleitos ou reeleitos, ex-prefeitos e vereadores de todo o estado, passando a contar desde o início da semana com o reforço mais cobiçado: o desembarque do prefeito de Curitiba, Beto Richa, na campanha. Pedindo licença do cargo, Beto repetiu uma atitude tomada pelo pai, que em 1995 afastou-se temporariamente do cargo de governador para entrar de corpo e alma na campanha de candidatos do PMDB às prefeituras de Curitiba e municípios então chamados de segurança nacional, situados na região fronteiriça do Brasil com Paraguai e Argentina.

Requião era candidato em Curitiba e venceu graças ao grande esforço realizado pelo governador José Richa, que, diariamente, às seis da manhã, percorria os terminais de passageiros mais movimentados pedindo votos. Acrescente-se que o PMDB ganhou em todos os municípios. Beto se dispõe a repetir o gesto emblemático em favor de Osmar, além de dedicar-se em igual medida à campanha presidencial do tucano Geraldo Alckmin. De quebra, o PSDB decidiu por maioria absoluta oficializar o apoio ao senador pedetista, desembaraçado dos liames tentados pelo deputado Hermas Brandão.

O governador, por sua vez, logrou arregimentar parte do efetivo petista, a soldadesca ainda decidida a seguir as ordens emitidas pelo triunvirato formado por Paulo Bernardo, Jorge Samek e Gleisi Hoffmann, políticos que conseguiram manter-se à tona enquanto outras frações do partido no Paraná afundaram (ou foram afundadas), num melancólico naufrágio.

Hostilizando-se mutuamente em esquetes, quase sempre próximos do teatro de revista, PMDB e PT hoje estão unidos em torno da chapa Lula-Requião, muito embora no cruzamento seguinte se possa ver um cartaz exibindo outra devoção extemporânea: Alckmin-Requião. A cabeça do eleitor ferve como uma caçarola de sopa. Foi, no mínimo, constrangedor para o deputado Dobrandino Silva, presidente estadual do PMDB, posar ao lado do petista André Vargas para declarar apoio à reeleição do presidente Lula.

Em troca, o recém-eleito deputado federal, um dos mais acerbos críticos de Requião na Assembléia, abraçou a campanha do governador, na esteira duma autocrítica mais adequada aos tempos do centralismo burocrático das máquinas partidárias hoje corroídas pela ferrugem, e pleiteou indulgência plena aos pecadilhos da basófia e da auto-suficiência. Segue o jogo.