Preocupou-nos constatar, em recente entrevista do ministro da Ciência e Tecnologia, que nenhuma alusão se faz ao Paraná dentre os exemplos brasileiros de projetos cujo grande insumo é o conhecimento, e não mais os tradicionais pilares básicos da economia ? a terra, o capital e o trabalho. Citou o dr. Roberto Amaral os projetos do porto digital no Recife, da tecnópolis de Petrópolis-RJ, de fábrica de chips no Rio Grande do Sul, e gestões no Ceará para implantação de empreendimentos de tecnologia no Nordeste.

Mas, do Paraná, nada se falou. E isso é preocupante, porque aqui, há mais de dez anos já, trabalha-se com sucesso na antevisão de que o Paraná tem a condição e a possibilidade de se inserir no universo tecnológico do mundo globalizado e vir a ser, no Brasil, o principal pólo de desenvolvimento de tecnologia de ponta em informação e telecomunicação.

De fato, já em 22 de junho de 1992, o Paraná, olhando para o futuro, criou um dos mais importantes pólos de desenvolvimento nessa estratégica área, o Centro Internacional de Tecnologia de Software. Localizado na também pioneira Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e mais conhecido como Cits, esse centro reúne empresas de base tecnológica e com características de prestação de serviços de alto valor agregado.

A idéia básica foi e continua sendo juntar, em um único esforço, os três grandes segmentos: o governo, responsável pelas políticas de ciência e tecnologia e pelas fontes de financiamento, e em nosso caso especificamente representado pelas Secretarias de Estado e a Prefeitura de Curitiba como seus principais agentes; a Academia, com infra-estrutura, mão de obra e competências tecnológicas em que se destacam a UFPR e a PUC; e as empresas, a iniciativa privada, com a inovação no empreendimento com visão negócios e a perspectiva de desenvolvimento dos negócios a nível regional.

Como a pesquisa de curto prazo, de até seis meses, é realizada pelas empresas, e a de longo prazo, acima de 24 meses, pelas universidades, procura-se, pois, cobrir a lacuna do médio prazo, desse período intermediário, que, no caso, pode ter o atendimento feito pelos institutos de pesquisa e desenvolvimento.

O Cits funda-se, assim, numa concepção orgânica original e importante: transcende aos padrões em que se enquadra a cultura individualista e tradicional de nossa formação histórica, distanciando-se das regras do empreendimento capitalizado pelos “donos”.

A maximização dos esforços de todos os especialistas dessa tão promissora área que é o desenvolvimento tecnológico é a única maneira de viabilizar o acesso do Paraná no contexto do novo mundo globalizado, onde temos que concorrer com novos pólos tecnológicos como os da Índia e Irlanda.

Inicialmente, o projeto em Curitiba criou o Parque de Software, que reúne empresas de base tecnológicas e com potencialidade de desenvolvimento de serviços de alto valor agregado. Esse Parque tem capacidade para abrigar 40 empresas de porte médio, com condições como fator multiplicador no desenvolvimento regional.

Na área da educação, o Cits tem sido responsável por conduzir as atividades relacionadas ao desenvolvimento, bem como à execução de programas de treinamento, cursos, seminários e conferências.

A disseminação dos conhecimentos adquiridos em projetos que utilizam tecnologias de vanguarda é uma das principais armas da integração operacional das grandes empresas atuantes na área de tecnologia de informação e de telecomunicação.

A Conferência Internacional de Tecnologia de Software, realizada anualmente pelo CITS desde 1992, é um dos principais eventos nesta área no Brasil.

Outro dos mecanismos adotados com sucesso pelo Cits para desenvolvimento de empresas é o da Incubadora Internacional de Empresas de Software, que tem se pautado no apoio a pequenas firmas de software que tenham potencialidade de atingir o mercado global, a partir de tecnologias desenvolvidas no Brasil e no Exterior. Conhecido pela sigla IESS, são suas principais linhas de atuação o desenvolvimento tecnológico e empresarial; a comunicação de marketing; o desenvolvimento de negócios; e a capitalização.

Hoje, como há quase onze anos, é altamente verdadeira a premissa básica que orientou a formação desse centro, ou seja, a de que “o trabalho desenvolvido em multiplicidade de empresas em espaço comum tende a somar na busca de maiores ganhos de conhecimento e produtividade para todos os empreendimentos”.

A implantação em nosso Estado de um pólo de software, visando acelerar o desenvolvimento socioeconômico do Paraná, é o alvo comum daquele tempo e cujo atingimento precisa agora ser consolidado, com a efetiva fusão daqueles três segmentos, para ter como resultado uma nova personalidade, sem função de governo, sem objetivo de lucro econômico-financeiro, e sem intenção acadêmico- curricular. Cabe lembrar aqui, para os que não o sabem, que os conselheiros dessa entidade atuam sem remuneração.

A soma das forças desses segmentos tão díspares é a garantia do avanço do conhecimento técnico-cientifico, sempre na busca de ganhos do saber para todos.

Neste momento em que o governo do Estado se dispõe a interagir mais de perto com o Cits, é importante registrar a nossa confiança de que a sociedade paranaense saberá dar prosseguimento a essa brilhante idéia.

Que o Paraná volte a liderar o desenvolvimento tecnológico nessa área, não só de geração de recursos humanos capacitados, mas também, e principalmente, na produção de insumo com alto valor agregado, situação em que a tecnologia de software se apresenta, entre tantos outros produtos importantes na geração de riquezas.

A chave do futuro e do progresso está intimamente ligada ao poder do conhecimento, e na área tecnológica situa-se a possibilidade de vislumbrar o futuro. Aproveitemos definitivamente esta nova oportunidade de transpor a principal porta de acesso ao futuro.

Nivaldo Krüger é Secretário de Estado para a Representação do Paraná em Brasília, onde atuou antes como senador e deputado federal.