São Paulo ? Ao comentar hoje (15) os ataques criminosos dos últimos dias em São Paulo, o presidente da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luiz Flávio Borges D?Urso, disse que é preciso dar prioridade a ações para eliminar a comunicação entre os detentos e os criminosos que estão do lado de fora dos presídios. "O telefone celular é um instrumento do crime organizado que precisa cessar. Isso o Estado ainda não conseguiu resolver".

Segundo D´Urso, a OAB-SP confia no Estado e há condições de controlar a situação. Para ele, a sensação de impunidade é um dos principais fatores da ousadia do crime organizado. "Isso não é algo que possa ser resolvido emergencialmente. Estamos em um momento atípico. Ao se reestabelecer a normalidade, é indispensável que o foco do Estado seja que o indivíduo tenha certeza da punição".

O presidente da entidade reafirmou ainda suas posições contrárias ao aumento da pena ou à aplicação de pena de morte como saídas para a onda de violência que atinge o estado. "Isso não resolve. No mundo inteiro não resolveu. Temos que equipar o Judiciário, as polícias, fazendo com que o Estado possa punir. Reitero que num momento atípico como esse é preciso manter a serenidade, continuar pautado no Estado Democrático de Direito", concluiu.

A Secretaria de Segurança Pública ainda não divulgou novo balanço sobre a onda de crimes que começou na última sexta-feira (12) à noite. Os dados oficiais mais recentes foram apresentados ontem (11) e apontam um total de 115 ataques contra prédios públicos e postos das polícias Civil e Militar em todo o estado. Segundo o balanço, pelo menos 50 pessoas foram assassinadas.