A fumaça do cigarro é muito mais cancerígena do que se pensava, tanto para os fumantes como para os fumantes passivos, causando câncer em mais partes do corpo do que previamente noticiado, anunciaram hoje (19) especialistas.

Os estudiosos, que realizaram um trabalho para a agência de pesquisa do câncer das Nações Unidas, afirmaram ter concluído que nos tipos de câncer reconhecidamente causados pela fumaça do cigarro o risco de se desenvolver a doença é ainda mais alto do que se imaginava. Eles também afirmaram ter certeza agora, pela primeira vez, de que fumantes passivos podem desenvolver câncer.

A análise, feita para a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (AIPC), um braço da Organização Mundial da Saúde (OMS)  é fruto da maior pesquisa já feita sobre estudos acumulados sobre a fumaça de cigarro e câncer desde 1986. Um relatório completo das descobertas será publicado até o final deste ano.

Os cientistas combinaram os resultados de mais de 3.000 estudos envolvendo milhões de pessoas, os quais lhes permitiram chegar a conclusões impensáveis em estudos individuais de menor abrangência.

?Estamos ainda aprendendo sobre os verdadeiros danos causados pelo cigarro?, disse o presidente do painel, doutor Johathan Samet, que é chefe do setor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins. ?Agora, uma visão completa é mais devastadora do que acreditávamos quando analisávamos as pequenas partes?.

Há cerca de 1,2 bilhão de fumantes em todo o mundo. Metade deles morrerá prematuramente de câncer, doenças do coração, enfisema e outros males por causa de seu hábito. Segundo os cientistas, a melhor maneira para se prevenir tais mortes é fazer com que os fumantes abandonem o cigarro.

O painel, formado por 29 dos melhores especialistas no assunto de 12 países diferentes, analisou evidências em vários tipos de câncer, relacionados ou não ao cigarro.

Entre outras coisas, a pesquisa descobriu que em tipos de câncer previamente relacionados ao tabagismo, o risco de se desenvolver a doença por causa do cigarro é ainda maior do que se pensava.

?Por exemplo, para tumores na bexiga ou nos rins, acreditávamos que o risco de um fumante desenvolvê-los era de três a quatro vezes maior do que para um não-fumante. Agora, parece que este risco se elevou para cinco ou seis vezes?, disse o doutor Paul Kleihus, diretor da AIPC. (AP)