Brasília (AE) – A crise política instaurada na Câmara agravou-se e os partidos de oposição admitem atrasar a votação do pedido de cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), marcada para quarta-feira (14), caso o presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE), decida presidir os trabalhos. As legendas de oposição não reconhecem mais a legitimidade de Severino para presidir as sessões e não aceitarão também que ele se sente na cadeira de presidente. A permanência de Severino poderá provocar tumulto e constrangimento nas sessões da Câmara. PFL, PSDB, PPS, PDT e PV, que iniciaram o movimento pela saída do presidente da Câmara, querem a renúncia imediata dele.

"Não faremos a votação da cassação de Jefferson com Severino na presidência", afirmou o líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA). Para Aleluia, não haverá dificuldades se a votação do pedido de cassação do deputado do PTB do Rio for adiada em uma semana. "Severino não inspira a nossa confiança", disse. O líder da minoria na Câmara argumenta que o presidente da Casa conduzir a sessão de forma a inocentar Jefferson, encerrando a votação sem que grande parte dos deputados tenha votado. Esse procedimento beneficiaria o deputado do PTB porque, para cassar o mandato, são necessários 257 votos, a maioria absoluta. "Isso seria um golpe", afirmou Aleluia.

"Severino vai ter coragem de entrar no plenário?", questionou o líder do PDT na Câmara, Severiano Alves (BA). "Não há clima para ele presidir sessão. Vai haver discurso agressivo contra ele e tumulto. Ele não teria condição moral para presidir uma sessão de cassação." As siglas marcaram uma reunião para a terça-feira (13), incluindo os governistas e de oposição, para pedir a cassação de Severino e discutir como conduzir a atual fase.

"O que Severino não pode mais é se sentar naquela cadeira. Ele não tem legitimidade nem autoridade moral e política para presidir a Câmara", afirmou o líder do PSDB na Casa, Alberto Goldman (SP). Goldman ainda disse que a agremiação não aceita participar de sessão presidida pelo presidente da Casa. "O caminho é a renúncia", completou. O deputado Raul Jungman (PPS-PE) disse que "não há a menor possibilidade" de as oposições aceitarem uma sessão com Severino à frente das atividades.

"Isso seria evoluir da paralisia para o caos", afirmou, referindo-se ao torpor que tem dominado as tarefas da Câmara.

O deputado Benedito Dias (PP-AP), aliado de Severino, concorda com a tese de que ele deve deixar a presidência. "Para não haver conflito com a Casa, seria interessante ele afastar-se", afirmou. Para Dias, o afastamento não significa renúncia à função. "Quem manda são os parlamentares. Se a maioria não quer, ele tem de obedecer, tem de aceitar", resumiu.