Brasília (AE) – Diante da notícia de que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido US$ 3 milhões de Cuba, a oposição já admite a possibilidade de pedir impeachment do presidente e a cassação do registro do PT. "A denúncia é muito grave e precisa ser investigada imediatamente pelo Ministério Público para que não se cometam leviandades e injustiças. Mas a lei é muito clara na proibição de os partidos receberem dinheiro do exterior. Se houve esse fato, pode levar ao cancelamento do registro do PT, o que inviabiliza candidaturas de todos os filiados do partido", disse o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).

Entre os impedidos de se candidatar estaria o próprio presidente Lula, pois não há mais prazo para ingressar em outro partido, lembra Goldman. Para o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), integrante da CPI dos Correios, os partidos de oposição devem retomar a discussão sobre a possibilidade de impeachment "do ponto de vista jurídico e político", analisando a partir de amanhã as possíveis ilegalidades que comprometeriam a eleição de Lula.

"A oposição errou feio lá atrás quando proibiu que se falasse em impeachment. É preciso acabar com este veto. Pode ser que se conclua que não é o caso de impeachment, mas temos que analisar", destacou ACM Neto. "A denúncia reforça a tese de que a campanha do PT foi viciada. O mandato do presidente Lula é viciado."

O deputado quer que a CPI dos Correios ouça todos os envolvidos no caso, como o advogado Rogério Buratti, o economista Vladimir Poleto e o diplomata cubano Sergio Cervantes. O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), defende a convocação também do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. "Se a denúncia for confirmada, a situação do presidente Lula e do PT ficam insustentáveis", diz Maia.

ACM Neto lembra que sempre se falou em recursos vindos do exterior para a campanha presidencial do PT, mas era difícil encontrar testemunhas e provas. "Não acho que tenha vindo dinheiro só de Cuba, mas também da Venezuela", diz ele.

Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também reagiu hoje à reportagem da revista "Veja". Durante um intervalo na agenda que cumpria na região de Sorocaba, no interior de São Paulo, ele avaliou que a denúncia é "gravíssima". "Se for comprovada, exigirá punições severas."

Outro integrante da CPI dos Correios ouvido hoje pela reportagem, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirma que tem recebido denúncias sobre recursos vindo do exterior para o PT, especialmente da Colômbia, por meio do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Há suspeitas de uma conexão internacional à esquerda. Existem indícios, mas as provas são difíceis", diz o senador tucano. "O mandato de Lula está contaminado por corrupção eleitoral confessada e, agora, com a vinda de dinheiro de fora para a campanha."

"Além de os partidos serem proibidos de receber dinheiro de outros países, mesmo que legal, é evidente que esse dinheiro é sujo, porque chegou ilegalmente ao Brasil", destacou Dias. "Além disso, é claro que é dinheiro público, pois em Cuba não há dinheiro privado. Se veio de Cuba, a origem não pode ser boa."