Os partidos de oposição ? PSDB, PFL, PDT e PV ? marcaram para terça-feira uma reunião a fim de discutir o afastamento do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) da presidência da Câmara. A expectativa do líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA), é a de que esta reunião seja ampliada com a participação de representantes dos partidos da base do governo.

Nesta sexta-feira, Severino Cavalcanti conversou, por telefone, com o corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), e disse ter antecipado seu retorno ao Brasil "para esclarecer as denúncias ponto a ponto". Quinta, o empresário Sebastião Buani, concessionário de um restaurante da Câmara dos Deputados, reafirmou que foi obrigado a pagar mesada de R$ 10 mil a Severino para que seu restaurante continuasse funcionando nas dependências da Casa.

Ciro Nogueira informou ainda que em nenhum momento da conversa telefônica Severino Cavalcanti "sinalizou" com a possibilidade de afastar-se do cargo ou de renunciar. "Ele não me disse que iria renunciar, disse que vai rebater as acusações e que é inocente", contou Nogueira.

Para José Carlos Aleluia, no entanto, a permanência de Severino Cavalcanti na presidência da Câmara é "insustentável" e não se vota nada na Casa caso ele insista em presidir as sessões. O líder do PDT, deputado Severiano Alves (BA), afirmou que o partido encaminhará ao Conselho de Ética uma representação contra o deputado Severino Cavalcanti, por quebra de decoro parlamentar, caso esta não seja a decisão dos partidos que se reunirão na terça-feira. "

Resolvemos esperar a segunda-feira para dar oportunidade ao Severino de renunciar", acrescentou o líder pedetista.