O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) reúne-se amanhã (02) com o diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) Antenor Madruga, para definir como será o acesso aos documentos com a quebra do sigilo bancário do publicitário Duda Mendonça nos Estados Unidos. Após analisar os documentos, a CPI quer marcar para dia 15 o novo depoimento de Duda Mendonça.

Amanhã é a primeira vez que integrantes da comissão terão acesso formal à papelada, que foi enviada pela Promotoria de Nova York, há três meses, para o Brasil. Os documentos foram analisados pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Federal (PF) e registram a movimentação da conta Dusseldorf no BankBoston de Miami, cujo titular é ele.

Apenas na semana passada, a CPI dos Correios obteve autorização da Justiça norte-americana para ter acesso aos documentos.

A fim de evitar vazamentos, o comando da comissão decidiu que apenas dois técnicos e quatro parlamentares poderão manusear os papéis: os relatores-adjuntos, deputados Eduardo Paes (PSDB-RJ) e Maurício Rands (PT-PE), além de Serraglio e do presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS). "A reunião com o diretor do DRCI é mais para planejar como será o nosso acesso aos documentos", afirmou hoje Rands.

O relator da CPI dos Correios pretende entregar o relatório final no dia 21. A Dusseldorf é uma offshore cuja conta foi aberta por Duda Mendonça por orientação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, segundo relato do publicitário à CPI, em agosto. A conta foi usada para receber R$ 10,5 milhões como parte do pagamento dos serviços que Duda Mendonça prestou ao PT nacional na campanha de 2002.

As análises feitas pelo DRCI detectaram que a Dusseldorf foi alimentada por, pelo menos, seis outras contas, sendo três de empresas ligadas ao Banco Rural. Os extratos também apontam que a Dusseldorf transferiu US$ 1,13 milhão para três outras contas – duas delas pertencem às offshores Strongbox e Raspberry As duas offshores têm sede nas Bahamas (Caribe), como a Dusseldorf, e um mesmo número de caixa postal como referência.

Antes do depoimento de Duda Mendonça, a CPI pretende ouvir o ex-assessor especial da Casa Civil Marcelo Sereno, na terça-feira (07) ou dia 8, e o economista Lúcio Bolonha Funaro, ex-dono da corretora Guaranhus, que repassou recursos para o PL. Os integrantes da comissão querem saber os detalhes da relação de Sereno com os fundos de pensão de empresas estatais, que tiveram prejuízos de mais de R$ 700 milhões nos últimos cinco anos.

Apesar de nove depoimentos marcados para amanhã nas sub-relatorias da CPI, nenhum é considerado relevante nem deverá atrair as atenções da maioria dos integrantes da comissão. Entre os convidados, estão o diretor da Corretora São Paulo Jorge Ribeiro dos Santos e representantes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Gilberto Audelino Corrêa e Luiz Carlos Siqueira Aguiar, respectivamente.