A expressão volta a ser tão verdadeira quanto foi nos áureos anos de formidáveis colheitas em São Paulo e no Norte do Paraná. O leitor sabe que estamos nos referindo ao café, um dos mais nobres produtos da agricultura, cujo potencial de riqueza foi vital na expansão da indústria paulista e ocupação do vasto território da terra vermelha em nosso Estado.

Todavia, a riqueza agora é gerada pela rubiácea em terras outrora desprezadas pelo produtor rural, no Extremo Oeste da Bahia, nos municípios de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, onde há cerca de oito mil hectares plantados com alta tecnologia. Para a média brasileira de produtividade por hectare de 17,47 sacas, a bem estruturada cafeicultura baiana produz 55 sacas por hectare.

Modernos pivôs de irrigação, temperatura média entre 19 e 23ºC durante o ano e poucas chuvas na fase da colheita, além da topografia plana que facilita a colheita mecanizada, fizeram do Oeste da Bahia um próspero foco da cafeicultura, produzindo com qualidade refinada.

Agricultores das regiões Sul e Sudeste são os novos habitantes daquele rincão baiano, antes desprezado pelos nativos por causa da má qualidade do solo arenoso. Com tecnologia e gestão moderna os problemas foram superados, e a região chega a ter hoje uma estrutura privada de pesquisa, única no País.

A euforia dos produtores mede-se pela cotação da saca de 60 kg de café, na Bolsa de Nova York: US$ 104,25 para contratos a vencer em maio, o dobro do preço médio praticado em 2002 e 2003. Extraordinário exemplo do Brasil que dá certo.