Haja paciência! Não a de Lula, que sobra. Mas a nossa, do povo, que não mais suporta essa crise apelidada de política, mas que, de fato, é uma roubalheira desbragada, exibicionismo eleitoreiro e gangrena generalizada, espalhando-se pelo organismo governamental e partidário. Um cheiro insuportável. E um custo moral, e em dinheiro mesmo, que chega a níveis tão amplos que, parodiando Rui Barbosa, já tem brasileiro com vergonha de ser honesto. E revolta por ser roubado e, aparentemente, nada poder fazer. E os que podem, nada fazem de efetivo.

O presidente Lula fez um discurso, de improviso mais uma vez – com o que se arrisca a dizer o que não pensa e pensar o que não diz -, sugerindo que não vai se suicidar como Getúlio, nem renunciar como Jânio Quadros, nem ser deposto como o foi João Goulart, mas agir como Juscelino, com ?paciência, paciência, paciência?. Uma interpretação da história com a qual nem todos concordam, pois Juscelino enfrentou muitas crises, desde a oposição ferrenha à construção de sua sonhada Brasília, até duas revoltas militares (Jacareacanga e Aragarças). Enfrentou o que hoje não acontece.

Lula, em discurso considerado por alguns como positivo e por outros como uma porção de palavras que nada resolvem e pouco adicionam à busca de soluções para os graves problemas que o País atravessa, atribuiu as denúncias de corrupção em seu governo e no PT à iniciativa de gângsteres. E reiterou seu compromisso com a busca da verdade, pedindo punição para os responsáveis, nas instâncias apuradas pelo Congresso.

É bom que acene, para o futuro e depois de muita paciência, com as punições, mas equivoca-se quando fala em gângsteres, dando a impressão de que o seu governo e o PT são as vítimas. E os bandidos estão do outro lado. Se listarmos os gângsteres confessos ou já desmascarados, iremos ver que todos eles são do PT, do governo ou de partidos aliados, da chamada base de apoio. E poderão ser ainda de bancos brasileiros ou de paraísos fiscais, de empresas públicas e privadas e mais instituições não governamentais, mas associadas ao poder público.

No mais, ninguém está esperando que Lula se suicide, renuncie ou seja afastado do cargo por ?impeachment? ou algum meio inconstitucional. Pelo contrário, quem mais tem defendido o mandato do presidente é a oposição, e quem mais o tem comprometido é a turma do próprio governo.

E, como se não bastassem tantas maracutaias que nascem como tiririca todos os dias, surge agora a crise interna do PT, onde uns querem renovação, outros continuísmo e há os que acreditam, com fundadas razões, em encerramento de atividades por inadimplência. Inadimplência política, moral e financeira, pois deve a todo mundo. Principalmente ao povo. Lula, no seu mais recente discurso, diante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, assegurou que não tomará medidas desesperadas ou heróicas, ?porque a verdade aparecerá. Se depender da minha paciência, pode demorar um mês, três meses ou dois anos, não importa?. Haja paciência para esperar. Assegurou que estará no comando, ?não de forma autoritária, mas democrática?. Isso não exclui o uso legítimo da autoridade.