Rio – O Brasil está gastando com o aluguel de equipamentos, onde se destacam as plataformas de exploração e produção da Petrobras, praticamente o mesmo montante de recursos gastos na compra de máquinas industriais, um dos principais componentes do grupo de bens de capital. Segundo o Banco Central as despesas na balança de serviços no grupo "aluguel de equipamentos" totalizaram US$ 4,130 bilhões no ano passado, com aumento de 90,67% em relação aos US$ 2,166 bilhões computados em 2004. Pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, as despesas com as importações de máquinas industriais no ano passado totalizaram US$ 4,249 bilhões.

As despesas totais de importações de bens de capital somaram US$ 15,384 bilhões em 2005. O Banco Central não detalha os equipamentos alugados, mas estima-se que de 70% a 80% sejam de responsabilidade da petroleira brasileira. Enquanto as despesas com o aluguel de um equipamento se repetem a cada ano, os pagamentos de máquinas duram de cinco a dez anos.

A Petrobras acelerou o aluguel de equipamentos no ano passado não só para a produção, como também de sondas para a perfuração de poços, atividade na qual é comum o aluguel de uma sonda ultrapassar a casa dos US$ 100 mil por dia. No governo Lula, a Petrobras tem feito esforços para aumentar a produção no mercado interno de equipamentos, mas o processo está no início. A primeira plataforma cujo casco deve ser produzidos no Brasil é a P-51, que ainda está em construção. A empresa está também licitando 26 navios petroleiros para serem produzidos no Brasil, através da Transpetro, estimando que a primeira embarcação será concluída ainda este ano. Até serem concluídos, porém, a alternativa da estatal para acelerar a produção é o aluguel no exterior dos equipamentos.

Dos 14 grupos listados pelo BC na conta de serviços, o grupo de aluguel de equipamentos é o de maior peso, ultrapassando, com folga, as despesas de transportes, tradicionalmente o grupo que mais demandou recursos no segmento de serviços nos últimos anos. No ano passado, as despesas com "transportes" somaram US$ 1,790 bilhão, com queda de 9,88% em relação ao registrado em 2004, ainda segundo o BC. Os outros dois grupos que pesam muito na balança de serviços são os de computação e informação (US$ 1,626 bilhão em 2005, com aumento de 32,39% no ano), e royalties e licenças (US$ 1,303 bilhão, com aumento de 20,36% no ano).

As despesas com o aluguel dos equipamentos representou cerca de um terço das compras de petróleo e combustíveis no ano passado, mostrando o crescente peso desses custos no balanço de pagamentos. Em 2004, para importações totais de US$ 10,315 bilhões de petróleo e combustíveis, o País gastou US$ 2,166 bilhões no aluguel de equipamentos, o que representa participação de 21% no total. No ano passado, essa participação subiu para 34,64%, com despesas de US$ 4,130 bilhões no aluguel de equipamentos e importações de petróleo e derivados de US$ 11 923 bilhões.