Entre 1996 e 2000 o Brasil deixou de colher cerca de 28 milhões de toneladas de
grãos, apenas por conta das perdas ocorridas entre o plantio e a pré-colheita
nas culturas de arroz, feijão, milho, soja e trigo. A maior perda ocorreu em
2000, quando se deixou de colher 6,6 milhões de toneladas. Naquele ano, o milho
foi a cultura mais prejudicada, com perdas da ordem de 4,1 milhões de
toneladas.

Os dados são de um estudo inédito divulgado nesta terça-feira
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Indicadores
Agropecuários 1996-2003. O estudo analisou e quantificou as perdas dos
principais grãos da agricultura brasileira e reúne uma série de informações
estatísticas de agricultura, produzidas pelo IBGE e por vários outros
organismos.

De acordo com o levantamento, por exemplo, se as perdas da
primeira fase são resultantes de fatores mais incontroláveis, como clima e
doenças, as perdas durante a colheita são conseqüência de erros sistemáticos de
regulagem de máquinas ou de limitações próprias da colheita manual, que se
repetem a cada safra. O mesmo ocorre na fase de pós-colheita, quando as perdas
são causadas por armazenamento incorreto, o que reduz a quantidade e a qualidade
dos produtos estocados.

Também a escolha do tipo de transporte tem
contribuído para aumentar o desperdício. No Brasil, cerca de 67% das cargas são
transportadas por via rodoviária e, segundo a Confederação Nacional de
Agricultura, o prejuízo com o derrame de grãos durante o transporte rodoviário
chega a R$ 2,7 bilhões a cada safra.