A 3ª. Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3) chegou ao último dia, nesta sexta-feira (17), e contrariando tradicionais pressões de países ricos, são três países da América Latina que ameaçam o consenso internacional sobre a identificação entre ?contém? ou ?pode conter? produtos transgênicos nas cargas internacionais.

?Paraguai, Peru e México formaram um bloqueio contra a proposta brasileira e existe a possibilidade de o MOP 3 ser estendido durante a COP 8?, preocupou-se a ambientalista e professora-doutora em Sociologia da PUC-SP, Marijane Lisboa. A COP 8 – Conferência da ONU sobre Biodiversidade – começa seus trabalhos na segunda-feira (20) e vai até o dia 31.

A posição brasileira defende a adoção da expressão ?contém? para cargas de Organismos Vivos Geneticamente Modificados (OVMs) em um prazo de até quatro anos ? período para os países investirem em logística e certificação de um sistema que garanta a identificação dos produtos. Segundo Marijane, o estabelecimento de um prazo para a adoção da medida já deixou de ser o ponto da proposta mais polêmico.

?O Peru deve entrar no Acordo de Livre Comércio na América do Norte (Nafta), assim como o México já faz parte e ambos os países têm o compromisso de não aceitar nenhuma restrição na comercialização de seus produtos. Já o Paraguai tem o desejo de um dia entrar no bloco?. Outro país até então considerado um ?entrave? para um consenso mundial era a Nova Zelândia, que parece ter cedido às negociações em favor do ?contém?.

No caso da MOP 3 não chegar num resultado até esta sexta-feira, a Conferência pode ser suspensa e reiniciada após a COP 8, desta vez com um chamado amparo ministerial, com a presença de ministros de vários países. ?Isto cria uma outra condição para o Brasil, que teria a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na presidência das novas negociações?, informou Marijane.

Pressão

Durante todo o dia, acontecem manifestações, lideradas por estudantes, em favor do termo ?contém? OVMs. Daniela Ferreira Lodetti, 18 anos, faz Relações Exteriores na PUC-SP. Com um grupo de 28 estudantes, Daniela encontrou estudantes norte-americanos da Universidade de Atlanta que também vieram em Curitiba para pressionar os países. ?Estamos todos juntos agora para chamar a atenção da sociedade e dos jovens como um todo. Somos contra os transgênicos e lutamos para que os países tenham um compromisso real com a natureza?, completou.